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Diário da Franca online

Franca é exemplo no atendimento ao diabético

Publicado em 14 novembro 2012

Por José A. Souza/DF

O município de Franca possui na área da saúde a Casa do Diabético. A unidade é mantida pela Prefeitura em parceria com o Lions Clube e atende centenas de pessoas. Rosane Moscardini, secretária de Saúde, explicou que perto de 30 mil pessoas estão cadastradas na unidade, que oferece todo tipo de assistência aos pacientes. Nesta quarta-feira, quando se comemora o dia do diabético, Franca se mostra orgulhosa pela atenção disponibilizada a seus pacientes.

Rosane Moscardini ressaltou que a Casa do Diabético é modelo na região, e principalmente no Estado. Ela funciona na Rua Dionízio Faciolli, 1148 - Vila Industrial, no horário das 7 às 16 horas de segunda a sexta feira. O setor é responsável pelo atendimento, acompanhamento e tratamento aos munícipes (pacientes) portadores de Diabetes Mellitus tipo 1 e tipo 2 e insulino dependentes.

O Diabetes é uma doença crônica, caracterizada pelo comprometimento do metabolismo da glicose, cujo controle glicêmico inadequado resulta no aparecimento das graves complicações que reduzem a expectativa e qualidade de vida do portador desta doença, assim as intervenções terapêutica devem ter em vista o rigoroso controle da glicemia no sentido de prevenir ou retardar a progressão da doença.

Por se tratar de uma Unidade de Referência, destaca-se pelo trabalho em equipe na realização mensal de grupos educativos visando a participação dos pacientes e seus familiares, conscientizando os mesmos da importância de adesão ao tratamento.

Está inserida dentro da Casa do Diabético a farmácia para dispensação de medicações específicas e o Programa de Insumos (com fornecimento de insulinas e tiras reagentes) conforme Portaria nº 2383, de 10 de outubro de 2007, do Ministério da Saúde.

Além da unidade, as UBS – Unidades Básicas de Saúde – também realiza o primeiro atendimento e, depois, dependendo do caso ele é transferido para a Casa do Diabético, onde estão à disposição da comunidade uma equipe formada por cinco médicos, enfermeira, assistente social, psicóloga, oftalmologista dentre outros profissionais.

TERAPIA TESTADA

Uma terapia testada durante nove anos por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto conseguiu livrar de aplicações de insulina 21 dos 25 pacientes com diabete do tipo 1 que participaram do estudo. Um deles está há oito anos sem tomar as injeções.

Os médicos utilizaram um procedimento chamado autotransplante de células-tronco saudáveis. A ideia é tentar construir um novo sistema imunológico para o paciente, uma vez que a diabete do tipo 1 é autoimune, ou seja, é o próprio sistema de defesa do corpo que passa a atacar as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.

Um dos beneficiados pelo estudo é o jovem Humberto Flauzino Guimarães, de 22 anos, livre das injeções de insulina há cinco anos. Ele diz que sua qualidade de vida mudou muito desde que passou a se tratar com células-tronco. Mas as recomendações médicas de fazer exercícios físicos regularmente e de ter uma alimentação saudável não foram abandonadas.

O estudo em Ribeirão Preto é conduzido pelo endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri. Hoje, antes da abertura do Congresso Brasileiro de Endocrinologia, em Goiânia (GO), o médico falou ao Estado sobre os avanços no tratamento. A evolução dos pacientes, diz, é algo "notável".

Os resultados favoráveis no tratamento têm sido destacados em publicações especializadas, como o jornal da Associação Médica Americana. Isso porque, pela primeira vez no mundo, os níveis do peptídeo-C, uma espécie de marcador do funcionamento das células produtoras de insulina, aumentou nos pacientes submetidos à terapia.

Para Couri, as muitas dúvidas que a comunidade científica internacional levantou no início da descoberta já não se justificam. "Hoje, temos resultados práticos que provam que estamos no caminho certo", garante. Mas, de acordo com o médico, ainda não é possível prever quando a tecnologia estará disponível a todos os diabéticos. "É uma terapia de longo prazo. Estamos falando de célula-tronco, algo ainda novo e que vem sendo discutido", explica.

Procedimento

Na técnica aplicada por Couri, para evitar que o paciente tenha as células que produzem insulina destruídas, são realizadas sessões de quimioterapia que praticamente desligam o sistema imunológico do diabético. Mas, antes disso, são retiradas células de sua medula óssea, que depois são aplicadas na corrente sanguínea para construir um novo sistema imunológico. Esse transplante de células-tronco do próprio paciente faz com que o pâncreas volte a funcionar e elimina a necessidade da aplicação de insulina. Portadores do tipo 1 geralmente se tornam dependentes de insulinoterapia por toda a vida.

O estudo conta com os apoios do Ministério da Saúde, da Fapesp, do CNPQ e do SUS (Sistema Único de Saúde). Couri diz ter comprovado que os pacientes hoje produzem mais insulina do que quando iniciaram o tratamento. "Alguns deles estão com excelente qualidade de vida, muito diferente da vida que levavam antes", afirma. A diabete do tipo 1 atinge entre 5% e 10% da população de diabéticos. No Brasil, a estimativa é de sete pacientes a cada 100 mil habitantes.