Notícia

Jornal da Tarde

Fotos raras somem do acervo do Estado

Publicado em 07 outubro 2002

Um álbum com cerca de 60 fotos raras de São Paulo produzidas pelo fotógrafo Militão Augusto de Azevedo, entre 1862 e 1887, desapareceu do acervo do Arquivo do Estado de São Paulo. O problema será levado à polícia amanhã, caso os funcionários do órgão não o encontrem. Os funcionários devem trabalhar nas buscas durante todo o fim de semana. O Álbum Comparativo de Vistas da Cidade de São Paulo é um dos mais importantes registros fotográficos da São Paulo do século 19 e passou recentemente por um trabalho de restauração, financiado pelo Fundo de Amparo à Pesquisa distado de São Paulo Fapesp diretor do Arquivo, o historiador Fausto Couto Sobrinho, foi informado no início da semana do desaparecimento e deu prazo do cinco dias, à partir do quarta-feira, para as buscas. Uma sindicância interna já foi instaurada e as ccims gravadas polo sistema de câmeras do Arquivo estão sob análise. Sobrinho diz que o material pode ter sido colocado por engano em outro departamento. Segundo ele, nos últimos meses houve uma grande movimentação do setor iconográfico do Arquivo para o atendimento de pedidos, particularmente por jornalistas que procuravam imagens antigas da cidade motivadas pela restauração do prédio onde funcionou o Dops. "Pode ter ido para outro setor, para a biblioteca talvez", diz Sobrinho. O prédio do Arquivo, localizado na Avenida Voluntários da Pátria, em Santana, tem 11 mil m2 e abriga milhões de documentos. O diretor do órgão pediu um relatório sobre as buscas para amanhã. "Se não for encontrado, vou começar a considerar seriamente a possibilidade de furto. Vou fazer; um boletim de ocorrência e pedir1 uma investigação à polícia." 'O ÁLBUM NÃO É UM MATERIAL COMERCIALIZÁVEL' O álbum não tem valor de mercado e não é vendável porque, segundo Sobrinho, os colecionadores exigem a procedência da peça. "Não é um material comercializável Ê um material que só tem sentido em instituições públicas", acrescenta a diretora do Museu Paulista Raquel Glezer, que coordenou o projeto de restauro do álbum. Em São Paulo, segundo ela, outras duas instituições - a Biblioteca Municipal Mário de Andrade e o próprio museu - possuem exemplares com as reproduções das fotos. Os negativos estão no museu e o Arquivo já havia digitalizado as imagens do álbum.