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Tribuna (Ribeirão Preto, SP) online

Fotógrafo lança três livros em dezembro

Publicado em 01 dezembro 2008

Araquém Alcântara, referência mundial na fotografia de natureza, vai lançar três livros em dezembro: Cabeça do Cachorro, Bichos do Brasil e Mata Atlântica     

Um dos maiores fotógrafos brasileiros e uma referência mundial na fotografia de natureza, Araquém Alcântara lança em dezembro, pela Editora Terra Brasil, três livros que abordam com olhar diferenciado as questões da fauna, flora e meio ambiente do país. Cabeça do Cachorro é uma viagem por uma das regiões mais inóspitas da Terra, e a menos conhecida da Amazônia, o desabitado noroeste do estado do Amazonas, na fronteira com a Colômbia e Venezuela.

Bichos do Brasil, com prefácio do grande zoólogo (e compositor) Paulo Vanzolini, faz uma celebração da riquíssima e colorida fauna brasileira, ao mesmo tempo que alerta para a extinção de espécies – devidamente retratadas – e a urgência de reverter esse processo.

Mata Atlântica chama a atenção para a riqueza da floresta nativa da costa brasileira e para a importância da preservação, com de apresentação de Paulo Nogueira-Neto, presidente da Fundação Florestal e um dos pioneiros na causa ambiental, com trabalho de reconhecimento internacional.

Araquém Alcântara desde 1985 dedica-se integralmente à documentação e à proteção da natureza brasileira. Autor do livro de fotografias sobre natureza mais vendido do país, Terra Brasil (Ed. DBA Melhoramentos), lançado em 1997, e constantemente reeditado, que alcançou a impressionante marca para o gênero de 80 mil cópias vendidas.

Cabeça do Cachorro – O livro Cabeça do Cachorro, escrito pelo médico Drauzio Varella, com a participação do cientista social Jefferson Peixoto, e ilustrado com 100 fotos de Araquém Alcântara, será lançado em 17 de dezembro, na Livraria Cultura. Trata-se de uma investigação sobre os mistérios e belezas de uma das regiões mais inóspitas do mundo, o desabitado noroeste do estado do Amazonas, na fronteira com a Colômbia e Venezuela.

É como diz Drauzio Varella nas primeiras frases do livro: “Pegue o mapa do Brasil. Olhe para cima e para a esquerda, no extremo noroeste do estado do Amazonas. O contorno da fronteira com Venezuela e Colômbia não desenha a cabeça de um cachorro? É a essa região que dedicamos este livro: o Alto Rio Negro, terra das florestas mais preservadas da Amazônia. Sobrevoá-las é viver o êxtase. Até onde a vista alcança, são 360 graus de mata virgem; parece o mar.”

Em algumas viagens pela região, juntos ou separados, Drauzio e Araquém, experientes em aventuras pela selva, se surpreenderam com os milhares de espécies de animais e plantas nativas, os sons e as cores sob a mata fechada. “Viajamos por extensas áreas de igarapés, como também muita terra firme banhada pelas águas pretas do Rio Negro. Encontramos grupos indígenas que há anos não viam gente branca”, relata Araquém. A emoção, o impacto e o perigo de cada instante estão no livro cujo título vem de uma idéia prosaica: Cabeça do Cachorro é o apelido dado pelo povo da região ao traçado fronteiriço entre Brasil e Colômbia, que lembra um cão como se estivesse com a boca aberta e olhando em direção ao Pacífico.

Embora represente um pequeno trecho no mapa do Amazonas, a área explorada por eles é enorme. São 200 mil km² de floresta com densidade populacional de 0,25 habitante/km². Segundo o arqueólogo Eduardo Neves, da Universidade de São Paulo, 23 etnias vivem no local há mais de três mil anos. Isolados, indígenas preservam costumes ancestrais, como idiomas falados há mais de 500 anos e a produção de objetos artesanais.

Cabeça de Cachorro tem prefácio de Márcio Meira (presidente da Funai), projeto gráfico de Victor Burton e Ângelo Allevato Bottino, arte final de Fernando Moser, produção de Regina Belfort. O livro é beneficiado pela Lei Rouanet e conta com patrocínio da Qualicorp. A viagem de Drauzio e Araquém pela Amazônia contou também com o apoio da Força Aérea Brasileira e do Exército Brasileiro.

Drauzio Varella – É médico cancerologista e escritor. Notabilizou-se como um dos pioneiros no tratamento da aids e na difusão jornalística da moléstia, já nos anos 80, nas rádios Jovem Pan AM e 89 FM, ambas de São Paulo. Entre 1989 e 2002, atendeu aos presos da Casa de Detenção de São Paulo e pesquisou a alta incidência de aids no presídio. A experiência resultou no livro Estação Carandiru, que deu origem ao filme Carandiru. É também colaborador do programa de TV Fantástico e colunista da Folha de S.Paulo.

No Rio Negro, Drauzio dirige projeto de prospecção de plantas e extratos para testes em células tumorais e bactérias resistentes a antibióticos. Entre outros trabalhos, coordenou ainda a publicação do livro Florestas do Rio Negro, com artigos de especialistas sobre a riqueza da biodiversidade botânica da Amazônia.

Bichos do Brasil – Chega às lojas em 17 de dezembro, o livro Bichos do Brasil, com fotos de Araquém Alcântara, o mais conhecido e conceituado fotógrafo de natureza do país. Em 150 fotos ampliadas em 300 páginas, Araquém faz uma celebração da riquíssima e colorida fauna brasileira, ao mesmo tempo que alerta para a extinção de espécies – devidamente retratadas – e a urgência de reverter esse processo.

O prefácio é de Paulo Vanzolini, o zoólogo e compositor paulista (Ronda, Volta por Cima são duas de suas canções mais conhecidas), um dos idealizadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Em agosto de 2008, o cientista foi premiado pela Fundação Guggenheim, em Nova Iorque, em virtude de suas contribuições para o progresso da ciência.

“O planeta vive uma grande onda de extinções, problema que afeta especialmente o Brasil. Se por um lado nos orgulhamos de abrigar cerca de 22% dos animais já catalogados, por outro permitimos que as queimadas, o agronegócio e o comércio ilegal de animais ponha a perder esse patrimônio”, protesta Araquém, com energia.

O fotógrafo fala com autoridade. Em quase 40 anos de carreira, já perdeu a conta de quantas viagens empreendeu pelos diferentes biomas do Brasil. A experiência lhe permitiu publicar mais de 30 livros de fotos, nos quais seduz o público para a exuberância da natureza brasileira enquanto também evidencia a necessidade de pesquisar e proteger mais e destruir menos.

“O Brasil tem cerca de 200 mil espécies animais registradas. Estima-se que esse número represente só um décimo do total existente. Além disso, apenas 1% das espécies conhecidas é estudado com profundidade, pois o país carece de taxonomistas. Publicações como esta mostram seres que muitas vezes nem os brasileiros conhecem. Mais do que isso, ajudam a colocar a fauna na pauta do dia”, propõe o fotógrafo.

 Bichos do Brasil tem textos de Antonio Paulo Pavone e Marcelo Delduque, projeto gráfico de Victor Burton e Ângelo Allevato Bottino, arte final de Fernando Moser e 150 fotos em cores de Araquém Alcântara. O livro é editado com o patrocínio do Grupo ThyssenKrupp, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.