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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Fórum reúne 40 grupos para formação de rede colaborativa em pesquisa básica e clínica

Publicado em 26 abril 2011

Da bancada ao leito e do leito à bancada. Numa mão de duas vias é que se estabelece o princípio da medicina translacional, cujo conceito baseia-se na transferência do conhecimento da pesquisa básica em saúde para prevenir, diagnosticar e tratar as doenças, bem como na transferência de problemas clínicos que criem hipóteses que podem ser detectadas e validadas em laboratórios de pesquisas. Para Eduardo Moacyr Krieger, coordenador do programa de cardiologia translacional do Instituto do Coração (InCor-SP) e vice-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), há uma ressalva nessa relação entre o conhecimento científico na área médica e a sua aplicação tecnológica: seu fim tem que chegar de algum modo à saúde pública, em benefício de toda a população. Krieger falou na manhã desta terça-feira (26), no Centro de Convenções da Unicamp, durante a abertura do Fórum Permanente de Esporte e Saúde: "Da Pesquisa Básica à Clínica: Mapeando Competências na Unicamp".

De acordo com ele, a interação entre a pesquisa e a tecnologia, entre o conhecimento e a sua aplicação, estabelece um ciclo virtuoso, em que "a pesquisa gera conhecimento para novas tecnologias e as tecnologias dão elementos para novas pesquisas -, ou porque criam problemas, ou porque fornecem equipamentos mais modernos, ou porque dão recursos para o desenvolvimento do país". Na saúde, Krieger avalia que os hospitais universitários estão começando a se comprometer com a transferência do conhecimento científico para o benefício da população.

Organizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), o Fórum reúne cerca de 40 grupos de pesquisadores da Unicamp na tentativa de estabelecer uma rede colaborativa para estudos interdisciplinares que vão desde a descoberta de novos fármacos, o isolamento de princípios ativos, até os de natureza pré-clínica e clínica. Para o pró-reitor de Pesquisa, Ronaldo Aloise Pilli, a Universidade já organizou eventos dessa natureza, mas a criação do Centro de Pesquisa Clínica (CPC), vinculado à Faculdade de Ciências Médicas (FCM), cujo prédio de 1000m² está em fase final de construção, "fortaleceu ainda mais a convicção de que seria necessário e oportuno organizarmos um Fórum como este".

O Centro, que está sob a coordenação do cardiologista e farmacologista da FCM Heitor Moreno Júnior, que integra a comissão organizadora do Fórum, foi criado em 2009 após convite do Ministério da Saúde (MS) para que o Hospital de Clínicas (HC) integrasse a Rede Nacional de Pesquisa Clínica (RNPC). "A Rede de Pesquisa Clínica foi uma iniciativa do Ministério da Saúde e do Ministério de Ciência e Tecnologia que, a partir de 2005, passou a financiar, junto a hospitais públicos universitários, a criação desses centros. Em 2009 a Unicamp se integrou a essa rede e, a partir do ano que vem, entraremos na fase de realmente fazer as instalações e adequações necessárias para que o Centro de Pesquisa Clínica possa abrigar projetos que tragam dentro do seu bojo esse caráter interdisciplinar", explicou Pilli.

Representando a Coordenadoria Geral da Universidade (CGU), que desenvolve os Fóruns Permanentes, a assessora Carmen Zink Bolonhini parabenizou a Pró-Reitoria de Pesquisa pela iniciativa inovadora do evento e salientou a sua importância no sentido de possibilitar que grupos de pesquisas da Universidade se conheçam e discutam o encaminhamento de trabalhos colaborativos. "Aqui, vemos representantes de vários institutos e centros da Unicamp que trabalham com pesquisas clínicas e que, nesse momento, tem uma oportunidade pioneira de estabelecer relações colaborativas em benefício de toda a sociedade", finalizou.

A Comissão Organizadora do Fórum é formada pelos docentes Heitor Moreno Júnior, coordenador do Comitê Gestor do Centro de Pesquisa Clínica, da FCM; Mario Fernando de Goes, da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP); Carlos R. D. Correia, do Instituto de Química (IQ); Wanderley Dias da Silveira, do Instituto de Biologia (IB); Pedro Luiz Rosalen, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) e João Ernesto e Carvalho, do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA).