Notícia

Jornal da Ciência online

Fórum do Confap 2017 discute os desafios para a área de CT&I

Publicado em 10 março 2017

Os participantes da cerimônia de abertura do Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) São Paulo 2017 se mostraram preocupados com a situação da área de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no Brasil e ressaltaram que é preciso conscientizar a sociedade e o governo da importância da área para o desenvolvimento social e econômico para o País. O encontro, que termina nesta sexta-feira (10), reúne representantes das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de 25 estados e do Distrito Federal, com o objetivo de debater o financiamento à pesquisa no Brasil e o aumento da cooperação internacional.

A cerimônia, que foi realizada ontem (09), na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), reuniu José Goldemberg, presidente da Fapesp, representando o governador Geraldo Alckmin, João Gomes Cravinho, embaixador da União Europeia no Brasil,  José Luiz Gargioni, presidente do Confap, Jailson Bittencourt de Andrade, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, representando o ministro Gilberto Kassab, Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Maurício Juvenal, chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Eduardo Moacyr Krieger, vice-presidente da Fapesp, e Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp.

Para o presidente da Finep, ressaltar a importância da CT&I para o desenvolvimento do País não é tarefa só do governo, mas da também da sociedade. Segundo ele, ainda não há uma clara percepção no Brasil da importância da área para o desenvolvimento econômico e social do País. “Passamos por um momento de extrema dificuldade do ponto de vista econômico e me parece que a ciência e a tecnologia estão sendo jogadas na vala comum de outros setores, como o de transporte e infraestrutura, que demandam investimentos que podem ser postergados, sem prejuízos no resultado final”, afirmou Cintra.

“Qualquer país que paralisa seus investimentos em ciência e tecnologia, dificilmente irá conseguir recuperar seu espaço perdido nessas áreas, porque o mundo está avançando. Se perdermos a visão da fronteira tecnológica mundial estaremos fadados a ser meras colônias, do ponto de vista científico e tecnológico, e caudatários, no processo de desenvolvimento econômico”, acrescentou.

O presidente do CNPq também concorda que é preciso envolver a sociedade e mostrar o quanto a área de CT&I é importante para o País, porque só assim a sociedade irá fazer pressão nos políticos para que eles comecem a dar o devido valor que a área necessita. “O Brasil tem um grande potencial, têm características para avançar. Mas precisamos de investimentos principalmente em Educação e Inovação como pilares fundamentais. Por isso, as Agências de Fomento têm um papel fundamental nesse cenário” explicou.

Na avaliação de Borges, as ações atuais em CT&I não têm levado em consideração pontos importantes como a internacionalização e a inovação. “Se não trabalharmos em articulação, ficaremos para trás, principalmente na qualidade das nossas pesquisas. Inovação e internacionalização são duas bandeiras que devem andar de mãos dadas e de uma forma articulada. Mesmo com os investimentos recebidos nos últimos anos, o Brasil não avançou como deveria. A última Pintec (Pesquisa de Inovação) nos mostrou muito bem isso, trazendo dados parecidos com a anterior. Precisamos de articulação e uma política de governo consistente de curto, médio e longo prazo”.

Desafios

O presidente da Fapesp destacou três razões pelas quais a ciência e a tecnologia são importantes para países emergentes, como o Brasil. A primeira delas é que, mesmo para importação de tecnologias, é preciso ter pessoas com suficiente capacitação para escolher a melhor opção que será adotada pelo País. “O setor privado faz isso o tempo todo e os governos também precisam disso, de pessoas capacitadas para fazer suas escolhas”, afirmou.

A segunda razão é que países em desenvolvimento têm algumas características próprias que permitem implementar tecnologias que efetivamente não foram exploradas adequadamente pelos países centrais.

Na avaliação de Goldemberg, que também é presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), um dos melhores exemplos nesse sentido, no caso do Brasil, é o do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), iniciado em 1975, que incentivou a pesquisa sobre o uso de álcool produzido a partir de cana-de-açúcar como combustível para veículos automotores e o desenvolvimento de novas tecnologias para o setor automotivo, o que possibilitou a produção do biocombustível em larga escala no País.

A terceira razão, segundo ele, é que há pessoas talentosas em todos os lugares do mundo e que avanços nessas áreas ocorrem também em países que não são centrais, o que pode acontecer no Brasil também. Ele citou como exemplo o físico e químico neozelandês Ernest Rutherford (1871-1933), que se tornou conhecido como o “pai” da Física nuclear, quando a Nova Zelândia ainda era uma colônia.

Encerramento

No encerramento da cerimônia de abertura, o presidente do Confap, cuja gestão termina esta semana, foi homenageado. Após quatro anos à frente do Confap, em duas gestões, Gargioni se emocionou e agradeceu o reconhecimento.

A presidente da SBPC, Helena Nader, que estava presente no evento, também foi lembrada por todos os participantes da mesa de abertura pela sua luta incansável em prol da CT&I no País. Todos ressaltaram sua garra e conquistas à frente da Sociedade e lamentaram o fim de seu terceiro mandato – que se encerra em julho deste ano.

Vivian Costa – Jornal da Ciência