Notícia

Gazeta Mercantil

Fórum abre oportunidade financiamento para empresas

Publicado em 19 abril 2001

Por Ana Cláudia Cruz - de São Paulo
Informática, telefonia, biotecnologia e geração de energia são algumas das áreas de atuação das novas empresas de base tecnológica que estão em busca de investidores de capital.de risco.-17 empreendedores, muitos ainda no estágio de desenvolvimento dos protótipos dos novos produtos, estão participando em São Paulo do Venture Fórum Brasil.que começou ontem e termina hoje. Eles foram selecionados de um grupo de mais de 300 empresas que se candidataram a participar do evento. O Venture Fórum está na sua terceira edição. O evento é promovido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência da Inovação do ministério da Ciência e Tecnologia, em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Associação Brasileira de Capital de Risco (AB-CR) e Associação Brasileira de Empresas de Capital Aberto (Abrasca). A Finep agora estuda também a criação de um Fórum de Inovação. Nesse evento serão reunidos projetos que ainda estão na fase do desenvolvimento científico. Ou seja, buscam financiamento ou bolsas de entidades como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ou a Fapesp. O primeiro Fórum de Inovação será realizado no segundo semestre. A idéia inicial é reunir de 10 a 15 projetos de áreas específicas em cada um deles, tais como telefonia, petroquímica, recursos hídricos, informática, eletricidade entre outros. Nas duas primeiras edições do Venture Fórum - uma realizada em outubro no Rio e outra em dezembro, em Porto Alegre -, dos 26 empreendedores participantes, três já fecharam acordos de investimentos. Além disso, outras sete empresas estão em fase de negociação de crédito, e dez em início de discussões. A Nano Endoluminal, por exemplo, fechou um acordo com o Fundo SC-TEC no valor de R$ 1 milhão. A empresa, que pesquisa e desenvolve produtos no segmento médico endovascular, participou do fórum realizado.no Rio. "As negociações são demoradas e dependem muito da capacidade de negociação das duas partes", afirma o diretor da Finep, Jorge Ávila. Ele explica que muitas vezes a empreendedor tem de abrir mão de um controle maior da empresa que o pretendido no início do processo. "Esse tipo de coisa costuma atrasar as negociações", diz Ávila. Das 17 empresas que estão reunidas na capital, 13 são de São Paulo. Depois de selecionadas, elas passaram por um treinamento de preparação para fazer a apresentação aos investidores durante o evento. "O investimento fica por volta de R$ 300 mil para a realização de cada Venture Fórum", informa Ávila. Segundo ele, o trabalho de preparação de cada empresa, com revisão técnica dos seus planejamentos, inclusive financeiro, custa cerca de R$ 20 mil. "É um investimento a fundo perdido, vindo do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico", explica o diretor da Finep. O objetivo da Finep é realizar pelo menos quatro fóruns, desse tipo todos os anos. Ávila diz que com os eventos será possível aproximar os empreendedores dos fundos de capital de risco e criar oportunidades para que as novas empresas de base tecnológica consigam encontrar um lugar no mercado. LINHAS DE CRÉDITO Para facilitar a aproximação dos investidores com os empreendedores, a Finep estuda o lançamento de uma linha de crédito no valor máximo de R$ 1,5 milhão ou 50% dos recursos que a empresa está buscando no fórum (valerá o valor que for menor entre as duas alternativas). O objetivo é complementar os recursos que a empresa precisa e que algumas vezes, o investidor não está disposto a oferecer integralmente. Segundo Ávila, o valor do crédito e o porcentual limite do valor a ser investido ainda está sendo discutido. "Nosso objetivo é dividir o risco com o investidor e assim facilitai' a liberação de recursos." US$ 2 MILHÕES PARA GERADOR Com um investimento de US$ 2 milhões a Electrocell Células a Combustível poderá produzir um gerador de eletricidade a partir da oxidação do hidrogênio. O equipamento desenvolvido pela empresa tem diversas vantagens sobre os métodos convencionais de produção de energia: é mais barato, silencioso/ocupa menos espaço e não é poluente. "Também é mais eficiente, pois na célula combustível 60% do que se produz é energia, enquanto num motor a combustão, por exemplo, só 20% é energia, o restante é calor", informa o diretor da Electrocell, Gerhard Ett. A empresa é uma das que buscam investimentos no Venture Fórum em São Paulo. Segundo Ett, US$ 2 milhões são necessários na primeira fase de desenvolvimento da linhas de produção de um gerador de 50 quilowatts. O equipamento pode ser utilizado em hospitais, shoppings, cinemas e edifícios residenciais ou comerciais. Na segunda fase, a empresa vai precisai" de mais US$ 20 milhões para colocar para funcionar uma linha de produção de mil unidades por ano. "O potencial de ganho para o investidor é grande porque já temos uma pré-encomenda de 5 mil geradores", informa outro diretor da empresa, Volkmar Ett. O projeto da Electrocell foi apresentado ontem para um grupo de aproximadamente 50 investidores de capital de risco. Outras 16 empresas se apresentaram ontem, a maior parte de São Paulo. Entre os participantes do fórum, a Lema Biologic do Brasil, empresa do setor farmacêutico veterinário, busca parceiros para desenvolver uma ampola injetável para medicamentos veterinários. Segundo o diretor comercial dá empresa, Guilherme de Abreu Lima, com esse novo modelo a ampola tem formato de seringa, já vem com a dosagem certa do medicamento e aumenta o grau de esterilização no manuseio dos injetáveis. A empresa busca investimento de R$ 2,5 milhões. Participam ainda do fórum empresas de serviços na área de telecomunicações, instrumentação digital de sinal, implantes odontológicos, sistemas de apoio a decisões integradas de alto conteúdo tecnológico para cadeias agropecuárias. Há também empresas de tecnologia ambiental e outras de produção e comercialização de equipamentos para o setor de recepção de sinais de vídeo, áudio e dados.