Notícia

Jornal da USP

Forro ecológico é alternativa para aviários

Publicado em 03 novembro 2015

Por Valéria Dias

Num primeiro momento, sacos vazios de cimento e embalagens de leite longa vida (ELV) descartados parecem estar destinados apenas a lixões ou a alguma proposta de reciclagem. Mas, para o zootecnista Júlio César Machado Cravo, esses dois elementos, somados à resina poliuretana à base de óleo de mamona, deram origem a um forro ecológico que funcionou como um isolante térmico em galpões de aves. “Nas medições realizadas no protótipo com forro ecológico, as temperaturas internas foram menores na primavera, no verão e no outono, em comparação ao protótipo controle”, destaca o pesquisador, lembrando que não houve diferença no inverno.

Os resultados estão na tese de doutorado “Painéis de partículas de saco de cimento e embalagem longa vida com vistas para aplicação como forro em protótipos de aviários de frangos de corte”, em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, com previsão de defesa até fevereiro de 2016. O trabalho conta com a orientação do professor Juliano Fiorelli, do Grupo de Construção e Ambiência, e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Foram realizadas medições de temperatura interna durante dez meses, abrangendo todas as estações do ano. Na primavera, houve redução de 3,88% na temperatura; no verão, 5,15%; no outono, 4,11%. Já no inverno, não houve diferença com o protótipo controle. Além da temperatura, o pesquisador também mediu a entalpia (concentração de energia no ar) e o Índice Térmico Ambiental de Produtividade para Frangos de Corte (IAPfc) e os resultados foram positivos. “As propriedades mecânicas e físicas foram afetadas negativamente, enquanto as propriedades térmicas mantiveram o mesmo desempenho”, destaca o zootecnista. Para o pesquisador, os resultados mostram que o forro ecológico pode ser uma alternativa para os produtores. “Eles gastariam menos e poderiam utilizar um material alternativo de modo sustentável”, acredita.

Agência USP de Notícias