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Credit Contabilidade

Forma de financiar projetos não promove crescimento corporativo

Publicado em 05 maio 2014

SÃO PAULO - São inúmeras as dificuldades enfrentadas pelo empreendedorismo inovador. Além das questões burocráticas, falta apoio financeiro no momento de alçar voos. Embora seja vasta a oferta de capital semente, é difícil obter recursos na hora de ganhar escala. O Brasil viveu uma bolha recente com a chegada de diversos fundos, atraídos pelas taxas de crescimento do país e pela disseminação de startups digitais. Agora, administra a ressaca. "Foi uma febre: quando chegamos, o mercado estava aquecido, e as coisas, um pouco fora da curva", diz Yann de Vries, diretor do Redpoint e.Ventures, fundo criado em agosto de 2012 com recursos de R$ 130 milhões (um terço deste total já foi investido em 12 empresas).

Para Sérgio Risola, presidente da maior incubadora do país, o Cietec, falta definir o que de fato é inovação. "Não é o desenvolvimento de modelos, mas de produtos e tecnologias. Precisamos de um novo ecossistema de inovação no país", defende, lembrando que os instrumentos existentes como a Lei do Bem e a Lei de Inovação não trazem segurança às empresas.

"A PEC 290 pretende extinguir os pontos falhos dessas leis, como a falta de clareza na relação entre os institutos e centros de tecnologia com as corporações", diz Risola. Entre os acertos do modelo de financiamento brasileiro, ele destaca a Lei de Informática. Por meio dela, vem tentando aproximar as empresas das startups do Cietec.

Gustavo Caetano, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), destaca que, no Brasil, confunde-se startup com empresa de aplicativo ou e-commerce, sem considerar que há muitas oportunidades em setores como os de educação e saúde.

A Inseed Investimentos, atenta aos negócios em diferentes setores, busca empresas de inovação tecnológica que resultem em patentes e propriedade intelectual. "Nosso foco é bem distante do mundo digital. Investimos em setores como biotecnologia, agrotecnologia e equipamentos médicos", diz Francisco Perez, diretor de relacionamento com investidores e novos negócios.

Tendo se consolidado nos últimos anos como uma real alternativa de financiamento à inovação, o investimento-anjo reúne 6.450 financiadores no Brasil, com aportes de R$ 619 milhões registrados no ano passado. Segundo Cassio Spina, presidente da associação Anjos do Brasil, o potencial é de mais de R$ 1,5 bilhão. "Esse é o termômetro da disponibilidade de capital. Precisamos de uma política de estímulo e proteção do investidor-anjo" defende.

O acesso aos recursos públicos também é alternativa para financiar ações. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) tem duas iniciativas de fomento à inovação. O PIPE (Pesquisa Inovativa na Pequena Empresa) apoia projetos em negócios de até 250 empregados. Na fase 1, o empreendimento recebe R$ 200 mil para demonstrar a viabilidade técnica e econômica da proposta de pesquisa. Na fase 2, o recurso pode chegar a R$ 1 milhão e o prazo para executar a pesquisa é de até dois anos. "São quatro editais de R$ 15 milhões e cerca de 400 propostas avaliadas anualmente", diz Sergio Queiroz, coordenador adjunto de inovação e tecnologia.

Outro instrumento de apoio utilizado pela fundação paulista é o PITE (Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica) que tem o objetivo de financiar pesquisa colaborativa entre instituições acadêmicas, ou institutos de pesquisa, e empresas.

Fonte: DCI