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FOP utiliza célula-tronco na regeneração do periodonto

Publicado em 30 abril 2013

Estudo desenvolvido na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp demonstrou que a célula do ligamento periodontal (célula-tronco) do indivíduo, denominada autógena, é eficaz na regeneração do periodonto em defeitos considerados críticos e que apresentam pouca previsibilidade de resolução por outras técnicas. A tese de doutorado foi defendida por Fabrícia Ferreira Soares, sob orientação do professor da área de Periodontia Enilson Antonio Sallum. "Assim como em outras áreas em que se utilizam células-tronco no tratamento de diferentes tipos de doenças, como as que atingem o fígado, pele e cérebro, o dente também pode se beneficiar desta abordagem por meio da reconstrução das estruturas de suporte periodontal, como cemento, ligamento periodontal e osso", atestam os pesquisadores.

Segundo o professor Enilson Sallum, para defeitos menos extensos, como por exemplo, os denominados furca grau dois, conseguiu-se resolver totalmente três entre dez defeitos, sendo que o restante apresenta diminuição de tamanho. No caso de defeitos de grau três, em que foi avaliado o processo de cura por célula-tronco, não há uma terapia regenerativa previsível e muitas vezes a opção é deixá-lo em aberto para que o paciente faça a higienização adequada. "Caso o prognóstico do dente seja insatisfatório, a substituição por implantes osseointegrados é a solução", explica Enilson. O diferencial da pesquisa foi associar a técnica de regeneração tecidual guiada, que faz uso de membranas físicas para proteger o defeito, ao uso das células. Como carreador das células utilizou-se uma membrana de colágeno. Neste sentido, foram feitos grupos controles sem as células e um grupo teste envolvendo a associação das técnicas. As células foram coletadas do ligamento periodontal de dentes extraídos e multiplicadas em laboratório.

Após três meses de testes, constatou-se que o grupo que recebeu as células apresentou uma resposta regenerativa superior ao observado no grupo controle. "Comparativamente dá para ver que o tratamento foi eficaz. Embora a pesquisa esteja em fase pré-clínica, esperamos ter, em um futuro não muito distante, o mesmo resultado nos testes com pacientes", avalia Sallum.

LINHA DE PESQUISA

A falta de terapia regenerativa eficaz no tratamento de defeitos periodontais com grandes perdas ósseas ou gengivais fez com que a Área de Periodontia da FOP buscasse alternativas para tratar esses defeitos. O principal objetivo da linha de pesquisa é utilizar novas abordagens, como a engenharia de tecidos, para obter a regeneração das estruturas perdidas. A engenharia de tecidos pode ser entendida como a utilização de células, matrizes, fatores de crescimento e de vascularização, para a obtenção dos novos tecidos. Reúne o conhecimento de biologia celular e molecular, ciência de biomateriais e clínica para a reconstrução e tecidos e órgãos danificados.

Por meio desta abordagem, segundo o docente, é possível que no futuro se forme um dente completo para repor o dente perdido, o que será uma nova revolução na odontologia, semelhante à vista com os implantes ou como são denominados cientificamente, osseointegração. "São perspectivas muito interessantes para o tratamento das mais diversas condições que afligem os pacientes hoje", avalia Sallum.

Atualmente, a área de Periodontia se dedica a novos projetos nesta linha que buscam isolar e caracterizar melhor as células envolvidas no processo. Pretende-se também marcá-las ("brilho") para que se possa identificar o seu destino e papel no defeito. Para esta nova fase, conta-se com a participação dos docentes Francisco Humberto Nociti Júnior, Márcio Zaffalon Casati e Karina Gonzales Silvério Ruiz, a doutoranda Ana Regina Moreira, a pós-doutoranda Bruna Rabelo Amorin, o apoio do professor Edgard Graner, da área de Patologia da FOP, e também da área de Microbiologia, através da professora Renata Graner, num esforço mutidisciplinar.

"Como agora conseguimos identificar, isolar e manipular as células que realmente queremos, pretendemos realizar novos projetos para verificar se estas células podem realizar o serviço de forma eficiente e previsível." revela Enilson. A linha de pesquisa, iniciada há seis anos, já teve quatro trabalhos publicados em periódicos internacionais. A tese teve apoio da Fapesp e CNPq. Em 2012 foi publicada na revista Journal of Clinical Periodontology.

Publicação

Tese: "Avaliação histométrica do efeito do transplante autógeno de células do ligamento periodontal no tratamento de defeitos de furca grau III."

Autora: Fabrícia Ferreira Soares

Orientador: Enilson Antonio Sallum

Unidade: Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP)

Financiamento: Fapesp e CNPqTexto: César Maia

Fonte: Jornal Unicamp