Notícia

Futuros Bibliotecários

Fontes de informação e competência informacional - Conteúdo Introdutório

Publicado em 27 julho 2017

Por Vitória Paesi

Qual o papel do bibliotecário como profissional da informação?
Le Coadic (1996, p. 106), entende como profissionais de informação aqueles que “adquirem informação registrada em qualquer suporte, organizam, descrevem, indexam, armazenam, recuperam e distribuem essa informação em sua forma original ou como produtos elaborados a partir dela”.
Juntos, compreenderemos as particularidades das fontes de informação e suas utilizações, dos diversos formatos, com destaque para as informações digitais e na internet.
Nossa percepção sobre determinado conteúdo pode variar conforme a origem da informação e o canal a qual esta informação é transmitida. Neste sentido, a confiabilidade de uma informação é, uma de suas características mais importantes, pois a distingue de tudo aquilo que não é interessante e verdadeiro. Para obter confiabilidade, além de utilização de uma rigorosa metodologia para a geração do conhecimento, é importante que os conteúdos sejam parte de um sistema confiável de divulgação, o que inclui canais formais e informais e os mais diversos formatos.
Na Unidade 1 deste material, vamos compreender quais são as fontes de informação mais comuns, suas tipologias e características, e vamos analisar quais os indicadores de qualidade de uma fonte de informação. Veremos que os materiais podem ser classificados em fontes de informação primárias, secundárias e terciárias, e também entenderemos melhor as definições de alguns documentos mais comuns como livros, periódicos e normas.
Cada tipo de fonte de informação e material é repleto de especificidade e, mais do que isso, cada usuário tem uma necessidade de informação distinta e profissionais sensíveis a estas variáveis serão capazes de identificar com mais eficiência os materiais mais relevantes à sua coleção.
Na Unidade 2 serão apresentados alguns critérios para seleção de materiais informacionais tendo em mente as mais variadas fontes de informação vistas na Unidade 1. O objetivo é que você compreenda o processo de seleção de materiais e conheça as alternativas existentes à aquisição de documentos. Ainda nessa unidade você encontrará considerações a respeito do acesso de publicações científicas, os impactos do acesso restrito às publicações periódicas e o conceito de acesso aberto.
Uma vez que compreendemos nas Unidades 1 e 2 o que são fontes de informação, quais são as principais fontes de informação, como selecionar e identificar materiais de qualidade, e quais as alternativas à aquisição de materiais para inclusão no acervo, veremos na Unidade 3 os conceitos relacionados à competência informacional.
Na Unidade 3 então, estudaremos as temáticas de competência informacional e letramento informacional, destacando o papel do bibliotecário no ensino do uso de fontes de informação, em especial àquelas disponíveis na internet.
Na Unidade 4 nos aprofundaremos nos assuntos relacionados às fontes de informação na internet. Nesta unidade então compreenderemos especificamente as características específicas da internet, tendo em mente as fontes de informação na web, os conceitos de web semântica, web 2.0, repositórios institucionais e ainda veremos algumas dicas para aprimoramento de pesquisa de informações na internet.

GLOSSÁRIO DE CONCEITOS
O Glossário de Conceitos permite uma consulta rápida e precisa das definições conceituais, possibilitando um bom domínio dos termos técnico-científicos utilizados na área de conhecimento dos temas tratados.

  1. Acesso aberto: “efetivação do acesso amplo, incondicional e irrestrito ao conhecimento científico gerado como resultado de pesquisa financiada com recursos públicos”. (COSTA, 2006, p. 39)
  2. (GASQUE, 2013)
  3. Competência informacional: refere-se à capacidade de mobilizar o próprio conhecimento para agir em determinada situação. Ao longo do processo de letramento informacional, são desenvolvidas competências para identificar a necessidade de informação, avaliá-la, buscá-la e usá-la eficaz e eficientemente, considerando os aspectos éticos, legais e econômicos. (GASQUE, 2013).
  4. Competência: a característica de um indivíduo de exercer com desempenho superior uma determinada tarefa. A competência é mais do que ter aptidão (um talento natural que pode ser aprimorado), ter habilidade (um bom desempenho prático de uma tarefa), ou ter conhecimento (saber o essencial sobre o desempenho de uma tarefa), é desempenhar uma tarefa da melhor forma possível. (FLEURY; FLEURY, 2001).
  5. Dados: um conjunto discreto e objetivo sobre eventos, um conjunto de dados que por si só tem pouca relevância ou propósito.
  6. Direitos autorais: um conjunto de direitos conferidos por lei à pessoa física ou jurídica criadora da obra intelectual. O direito autoral está regulamentado pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98).
  7. DSpace: Um dos principais softwares de código aberto para elaboração e gerenciamento de repositórios.
  8. FAPESP: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, BIREME: Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde, CNPq: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
  9. Folksonomia: uma classificação feita por pessoas para pessoas, e o principio adotado pela Web 2.0 é o da etiquetagem de conteúdo através de linguagem natural, com o uso de tags (marcadores).
  10. Fontes de informação: são todos os tipos de recursos que tem como finalidade solucionar ou responder uma necessidade de informação de um usuário. Podem ser consideradas fontes de informação as publicações periódicas, não periódicas, científicas ou não científicas, bem como programas de computador, arquivos eletrônicos, fotos, vídeos, pessoas e redes.
  11. Fontes primárias: são todos os recursos de conteúdo completos e original, elaborado pelo próprio autor da informação como: livros, manuscritos, artigos em revistas de conteúdo inédito, monografias, legislações, patentes, fotografias, entre outros. O que caracteriza o item como fonte primária é o fato deste ser a fonte original de um conteúdo, ou também, de proporcionar uma nova interpretação de informações.
  12. Fontes secundárias: são todos os recursos que fazem referência ou constroem interpretações com base em uma fonte primária, e ainda, todos os registros que organizam ou guiam usuários por um catálogo de fontes primárias.
  13. Fontes terciárias: são aquelas que fazem referências a outras fontes, e sua existência tem como função auxiliar o usuário na busca de fontes primárias e secundárias. Não trazem nenhum assunto ou conteúdo, e sim direcionam o usuário a outras fontes de informação.
  14. Habilidade informacional: realização de cada ação específica e necessária para alcançar determinada competência, é o saber fazer prático sobre as buscas informacionais . (GASQUE, 2013).
  15. Informação: um conjunto de dados registrados, que podem ser transmitidos em diversos formatos, mas que tem um sentido incorporado. O objetivo de uma informação então é ser transmitida a alguém que a compreenda e que seja impactada por ela.
  16. Interoperabilidade: é a capacidade de um sistema de dialogar com outro sistema. Para que um sistema seja considerado interoperável, é importante que ele trabalhe com padrões de códigos abertos ou ontologias.
  17. Letramento informacional: processo de aprendizagem voltado para a busca e uso de uma informação necessária. É o que propicia ao usuário um aprendizado independente e contextualizado, mantendo o pensamento reflexivo. É o saber aprender a aprender, é o saber selecionar e avaliar as informações e transformá-las em conhecimento aplicável. (GASQUE, 2013).
  18. Livro: pode ser documento impresso ou não impresso, de caráter científico ou literário, que transfere qualquer ideia ou pensamento através da escrita, que se dirige a um leitor e possui uma finalidade que pode ser a reflexão, o ensino, o conhecimento, a evasão, a difusão do pensamento e a cultura. (RIBEIRO, 2012).
  19. Monografia, Tese e Dissertação: são os trabalhos apresentados como parte dos requisitos para a obtenção de diplomas, sendo a monografia exigida aos cursos de graduação ou especialização, as dissertações aos cursos de mestrado, e as teses aos cursos de doutorado.
  20. Patente: É um título de propriedade temporária sobre uma invenção, outorgado pelo Estado aos inventores. Com esse direito, os inventores podem impedir terceiros de produzir, usar, vender ou importar o objeto de sua patente sem seu consentimento, em contrapartida, os autores precisam revelar detalhadamente todo o conteúdo técnico de sua invenção.
  21. Periódico científico: é o principal canal de comunicação formal científica, e sua publicação pode ser impressa ou eletrônica. Caracteriza-se pela periodicidade de publicação pré-estabelecida, pela continuidade indefinida de seus exemplares e pela sucessividade de seus volumes (com volumes e números contínuos).
  22. RDF: sigla para Resource Description Framework, e é uma tecnologia desenvolvida pela W3C que fornece um enquadramento para a descrição de recursos.
  23. Repositórios institucionais: de modo geral, os repositórios institucionais são “sistemas de informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso à produção intelectual de comunidades científicas” (IBICT, 2008).
  24. Scholar Google: é uma ferramenta de pesquisa do Google que permite pesquisar na
    web especificamente por trabalhos acadêmicos, literatura escolar, jornais de universidades e artigos variados.
  25. SCIciELO: é uma base de dados da FAPESP, BIREME e do CNPq , de acesso aberto, de
    texto integral e de conteúdo geral, com mais de 39 mil periódicos indexados, além de livros, com destaque para publicações de pesquisadores de países latino-americanos.
  26. Scopus: é a base de dados da editora Elsevier, de acesso restrito a assinantes, referencial, e de conteúdo geral, tem cerca de 19 mil periódicos indexados, e costuma ter mais publicações brasileiras indexadas do que na Web of Science.
  27. Tags: Técnica de etiquetagem de conteúdos digitais. É a atribuição de termos descritores em páginas da web, que geralmente seguem a linguagem natural, e são atribuídos pelos próprios autores dos conteúdos de maneira livre.
  28. 53)
  29. Web of Science: é a base de dados do Institute for Scientific Information (ISI), da editora Thomson Reuters, de acesso restrito a assinantes, referencial, e de conteúdo geral, nela estão indexados mais de 21 mil periódicos, além de alguns livros, canais de eventos, patentes e outros tipos de publicação.
  30. Web Semântica: é o nome do projeto do grupo World Wide Web Consortium (W3C) que pretende “embutir inteligência e contexto nos códigos XML utilizados para a realização de páginas na web” (W3C, 2001) com o objetivo de facilitar a troca de informações.
  31. Wiki: “O termo “wiki” tem origem na expressão havaiana “wiki wiki”, que significa muito rápido. No contexto web serve para designar ferramenta de fácil assimilação para a criação cooperativa de hipertextos, pois segue uma metodologia muito simples e permite ao usuário criar e editar livremente páginas na web.” (CURTY, 2008, p. 66)