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Folheto sobre ecstasy provoca confusão na USP

Publicado em 19 junho 2007

Por Redação Terra

Um papel com orientações sobre ecstasy foi distribuído para jovens em casas noturnas da capital. O folheto faz parte de um estudo da Universidade de São Paulo.

Segundo informações da SPTV, a discussão ultrapassou os limites da universidade. O governo do Estado decidiu suspender o repasse de verbas para a pesquisa.

O folheto é pequeno, do tamanho de um cartão de banco. Mas a polêmica é enorme. Tudo por causa do assunto: o uso de ecstasy, uma droga sintética muito comum em festas raves, aquelas que duram vários dias. Num primeiro momento, o folheto parece ser só explicativo, com uma lista de riscos para os usuários da droga. O mesmo tom explicativo aparece na página da internet.

Mas causa surpresa a lista de dicas para diminuir os riscos do consumo. Numa delas, a sugestão é tomar metade da dose planejada. O folheto sobre a droga, que está sendo distribuído em universidades, faz parte de um estudo de uma pesquisadora da USP.

"Em momento algum eu falo de dose segura. Quando você fala de meio comprimido, em momento algum está escrito que tomar meio comprimido não tem problema. É muito importante dizer que tem problema sim, que o uso de ecstasy comporta riscos", diz Stella Almeida, pesquisadora da USP.

Além da USP, o projeto também tinha o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Na tarde desta segunda-feira, a Fapesp decidiu suspender o repasse de dinheiro até que tudo fique esclarecido.

A polícia também quer explicações. "Se ele traz ¿não use drogas¿, mas ao mesmo tempo traz frases que incitam as pessoas que o lêem a usar, ou a ter os cuidados, no mínimo ele desperta a curiosidade daquele jovem que nunca usou. Um jovem que nunca usou vai ficar curioso, vai despertar", diz Wuppslander Ferreira, delegado do Denarc.

Discutir, alertar sobre o consumo e os riscos do uso de drogas é sempre positivo, diz o especialista Murilo Battisti: "As medidas de redução de danos são eficientes. Em nenhum lugar do mundo há nenhum estudo mostrando que esse tipo de medida está relacionado com aumento no consumo de drogas. Trata-se de uma medida bastante eficaz, mas é uma medida isolada dentro de um guarda-chuva amplo de ações", diz ele, que é psicólogo da Unifesp.

Foi a segunda vez em 15 dias que folhetos com conteúdo sobre drogas causaram polêmica em São Paulo. Uma publicação com orientações sobre o consumo de cocaína na véspera da Parada Gay também acabou virando caso de polícia.