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Folhas chapeadas podem ser usadas na construção civil

Publicado em 12 outubro 2008

Uma chapa produzida com folhas de espécies vegetais da Amazônia que tem múltiplas aplicações, entre as quais a substituição de derivados de madeira, foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus.

A aplicação mais indicada para o novo material, segundo um de seus inventores, Jadir de Souza Rocha, da Coordenação de Pesquisa em Produtos Florestais do Laboratório de Engenharia da Madeira do Inpa, é na confecção de produtos utilizados no acabamento de ambientes internos de construções.

A chapa de folhas é similar às chapas de aglomerado, compensado e MDF, podendo, portanto, ser utilizada em forros, divisórias, móveis e outros artefatos, disse Rocha à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo).

Realizamos uma série de ensaios mecânicos de flexão estática para determinar o módulo de elasticidade, que é a propriedade de resistência mecânica que especifica a rigidez do material, cujos resultados finais se aproximaram das chapas de aglomerado comerciais, disse.

Segundo ele, no processo de confecção da chapa, que também pode substituir materiais como isopor e gesso, as folhas são trituradas e, posteriormente, secas ao ar livre ou em estufas para que as pequenas partículas vegetais dêem origem a uma plataforma lisa, que recebe outras matérias-primas como resinas e fibras de vidro.

Esse processo tem início com a seleção das folhas. Devem ser escolhidas as mais espessas e de superfícies lisas, que são bastante resistentes ao rasgo. Um detalhe importante é que as folhas não podem estar infestadas por fungos. Depois de transformadas em pequenas partículas pelas máquinas trituradoras, elas passam pela secagem até atingir umidade final de 8% a 12%, disse.

Em seguida, o material, que pode ser produzido a partir de folhas de espécies arbóreas e frutíferas, além de palmeiras, ervas daninhas e plantas ornamentais, passa por processo de prensagem a quente.

Essa é a última etapa, caracterizada pela formação de um colchão de partículas em que as resinas sintéticas e a fibra de vidro são os elementos aglutinadores, que sofrem a ação conjunta de altas temperaturas e pressão, explica o pesquisador.

Rocha calcula a existência de aproximadamente 180 espécies de palmeiras na Amazônia, distribuídas em 39 gêneros. E, segundo o pesquisador, praticamente todas essas espécies possuem folhas apropriadas para a confecção das chapas.

Dentre as espécies arbóreas, centenas delas também apresentam folhas com características desejáveis, podendo ser citadas a andiroba, castanheiras, sucupira-amarela, jatobá e ucuúba-punã, salientou.

Nos grupos das frutíferas, ervas daninhas e plantas ornamentais também podem ser encontradas dezenas com tais aptidões na floresta tropical, com destaque para as espécies do gênero Sansevieria, conhecidas como espada-de-são-jorge. Essas espécies são extremamente resistentes ao rasgo e apresentam uma reprodução fantástica, disse Rocha.

A durabilidade do material pode ser exemplificada, segundo o pesquisador, com uma folha gigante do gênero Coccoloba. Essas folhas medem cerca de 2 metros de comprimento, 1,3 metro de largura e podem permanecer em bom estado de conservação por mais de 15 anos após sua coleta na natureza, afirmou. (Agência  Fapesp)