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Jornal da Manhã (Marília, SP) online

Folha de São Paulo destaca médico local

Publicado em 23 outubro 2010

O estudo mundial sobre hipotireoidismo subclínico comprovou a relação entre este desequilíbrio orgânico e o aumento do risco de morte e deve alterar a conduta clínica dos pacientes. O trabalho despertou a atenção da Folha de São Paulo pelo seu alto impacto e o assunto foi publicado na edição de ontem (dia 22).

José Augusto Sgarbi é chefe da disciplina de endocrinologia da Famema (Faculdade de Medicina de Marília) e foi um dos 21 médicos à frente da pesquisa, tendo conduzido o trabalho no Brasil. Ele foi entrevistado pela Folha de São Paulo na última quinta-feira e a publicação saiu ontem, onde a vice-presidente de departamento de tireóide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Laura Ward ressaltou que a instituição terá que repensar as indicações atuais e é possível que a classe médica passe a tratar um número maior de pessoas com alteração de tireóide, ainda que na forma subclínica.

Até o momento as diretrizes atuais não recomendam tratamento de hipotireoidismo subclínico, quando as alterações hormonais não chegam a causar sintomas. "Acredito que essa publicação na Folha seja o reflexo da importância do trabalho que deve alterar a conduta clínica dos pacientes", disse Sgarbi.

O tratamento precoce pode evitar o risco cardíaco pelo desenvolvimento das doenças coronarianas. O estudo indica risco maior na faixa etária dos 60 aos 75 anos, mas pacientes jovens também podem receber indicação de tratamento, dependendo de outros fatores associados.

Isso significa que se antes a classe médica indicava o tratamento apenas quando os pacientes já apresentavam alterações clínicas e laboratoriais mais acentuadas, deverá passar a tratar também pacientes assintomáticos com alterações hormonais mais leves

A pesquisa foi conduzida por Sgarbi no Brasil com o apoio e financiamento da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo), que disponibilizou o resultado do trabalho em sua Agência de Notícias, chegando ao conhecimento da Folha de São Paulo. De acordo com o médico, o assunto está em pauta ainda em outras agências, sendo disseminado no meio médico e para a sociedade.

O estudo mundial já foi divulgado (20 de setembro) pelo Jama (Jornal da Associação Médica Americana), a terceira revista médica de maior impacto no mundo. De acordo com o endocrinologista, de oito mil trabalhos que esta revista médica recebe por ano, 85% são rejeitados imediatamente. E dos demais analisados, apenas 6% conseguem a publicação.