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USP - Universidade de São Paulo

FMVZ busca voluntários para estudo sobre micção em gatos

Publicado em 15 janeiro 2010

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP pretende investigar o comportamento de gatos que vivem em grupos de 3 a 8 animais, num mesmo ambiente, e que apresentem problemas relacionados a micção fora da caixa sanitária, urinando em locais inadequados da residência. Os pesquisadores buscam cerca de 60 proprietários de animais, residentes na cidade de São Paulo, para participar do estudo.

A pesquisa está sendo conduzida pela doutoranda Daniela Ramos, com o apoio do mestrando Alexandre G.T. Daniel, sob orientação do professor Arquivaldo Reche Junior, do Departamento de Clínica Médica da FMVZ. Todos os animais receberão tratamento adequado, e não haverá nenhum tipo de custo para os proprietários dos gatos.

Os pesquisadores vão investigar porque esses animais urinam fora da caixa sanitária. De acordo com Daniela "existem diversas razões, desde físicas até comportamentais, que levam um gato a urinar em local inapropriado. Eles podem ter, por exemplo, alguma doença urinária, ou podem estar sendo tratados pelo grupo como párias", afirma.

A médica veterinária explica que existe, entre os gatos, uma hierarquia social. No topo, estão os animais dominantes; em seguida, há uma classe intermediária; depois ficam os animais submissos. E ainda, em alguns casos, há os párias: gatos totalmente excluídos por todos os outros animais do grupo. "Esse animal tratado como pária poderá apresentar o problema de micção em local inadequado, pois todas as vezes que ele vai usar a caixa sanitária, haverá algum outro gato por perto. Ele ficará muito estressado, com medo de apanhar e acabará buscando outro lugar para a fazer a micção", explica a médica veterinária.

De acordo com ela, também pode acontecer de o gato estar com alguma doença urinária. "Ele sente dor quando vai urinar e acaba associando essa dor com a caixa sanitária. Então ele deixa de usá-la e passa a fazer a micção em algum outro lugar da residência", esclarece a pesquisadora. "A marcação do território com fezes e/ou urina é também uma maneira utilizada por gatos estressados para se aliviarem e se sentirem mais confiantes num ambiente perturbador, por exemplo, em decorrência da mudança para uma casa nova ou de um conflito com um outro gato residente. Outras razões seriam a simples preferência por diferentes locais e superfícies e até uma possível aversão a caixa sanitária", explica Daniela.

Exames

Os animais vão passar por exames de sangue, de urina, e também por uma cistoscopia, exame que produz imagens da bexiga com riqueza de detalhes e permite um diagnóstico preciso se há ou não alguma doença urinária. O proprietário dos animais deverá levá-los duas vezes ao Hospital Veterinário (Hovet) da FMVZ, na Cidade Universitária, em São Paulo, para as consultas.

Também será feita uma consulta na própria residência, para análise do comportamento do animal em grupo, sua posição na hierarquia social, sua personalidade, e avaliação do ambiente e das caixas sanitárias.

A pesquisa tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Daniela informa que por meio de verba da agência de fomento paulista foi possível adquirir o cistoscópio, que já está instalado na FMVZ.

Psiquiatria Veterinária

Daniela conta que atua em Psiquiatria Veterinária, um ramo relativamente novo da área. A pesquisadora é especializada em Comportamento Animal pela University of Lincoln (Inglaterra). Ela informa que todos os animais que participarem do estudo vão receber tratamento específico.

De acordo com ela, esse tratamento poderá passar por mudanças no ambiente e no comportamento do proprietário do animal, chegando em alguns casos a prescrição de medicamentos aos animais. "Gatos excessivamente submissos e medrosos podem precisar de tratamentos envolvendo antidepressivos e ansiolíticos", informa.

Segundo a pesquisadora, para os gatos párias, vítimas do grupo, pode ser providenciado um lugar específico e isolado para que ele urine sem a presença dos outros animais. Ela conta que há casos de gatos que se recusam a usar a caixa sanitária, pois os donos usam areia perfumada, o que desagrada ao animal. Outro hábito dos donos dos gatos é colocar várias caixas sanitárias, uma ao lado da outra, procedimento que pode inibir um gato mais tímido. Mudar o local de uma das caixas seria uma opção para esses casos. "Cada gato que participar do estudo terá um diagnóstico diferente e, para cada caso, vamos indicar um tipo de tratamento", explica.

Os proprietários que se enquadram no perfil necessário para participar da pesquisa devem entrar em contato com os pesquisadores pelo telefone (11) 9337-9910 ou email daniela.ramos@usp.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots.

Agência USP