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Jornal de Jundiaí online

FMJ passará a detectar o zika vírus dentro de 30 dias

Publicado em 18 janeiro 2016

Por Conrado Guin

O Laboratório de Biologia Molecular da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) terá condições de detectar, dentro de um mês, possíveis contaminações de pacientes pelo zika vírus por meio de amostras de sangue colhidas. O anúncio foi realizado nesta segunda-feira (18), no Hospital Universitário (HU), em encontro entre profissionais de saúde da instituição, o coordenador do Instituto de Ciências Biomédicas (IBC) da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Zanotto, e o pesquisador senegalês Amadou Alpha Sall, do Instituto Pasteur de Dakar, referência em pesquisa do zika vírus.

 

De acordo com o médico do HU, Saulo Passos, que coordena a pesquisa sobre o zika vírus em Jundiaí, a prioridade do laboratório, que é referência no Estado, será analisar amostras de sangue de gestantes e também de bebês. “Colheremos o material no HU e encaminharemos para a FMJ. Em caso positivo após os exames específicos, iremos fazer a notificação e enviar a amostra para a USP, que coordena o trabalho no Estado.” Somando Jundiaí, são 40 polos de estudo do zika vírus espalhados pela Capital e Interior de São Paulo.

 

Pela primeira vez no município, o cientista Amadou, de Senegal, veio com o objetivo de capacitar as equipes locais para a identificação precoce do zika vírus em gestantes. “Queremos iniciar o trabalho preventivo e os tratamentos antes de uma possível epidemia”, salienta. Sobre os recursos existentes na cidade, o senegalês afirma que há um bom centro de pesquisas para atuar em casos emergenciais. “Há um laboratório importante e a presença de clínicos que serão capacitados para identificar e tratar os pacientes, em especial as gestantes infectadas pelo vírus.” A prioridade às gestantes se deve ao fato do zika vírus ter relação com os casos de microcefalia registrados recentemente no País.

 

 

Representante do IBC, Paulo Zanotto esclarece que a presença de Amadou no Brasil – e outros quatro cientistas senegaleses – se deve à existência de uma parceria estabelecida há muitos anos entre a USP, o Instituto Pasteur de Dakar e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Há um intercâmbio de pesquisadores entre o Brasil e o Senegal, país que pesquisa o zika vírus há muitos anos”, compartilha. A Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) apoia financeiramente as pesquisas.

 

 

Até o momento, apenas uma mulher em Jundiaí teve a confirmação de ter sido contaminada pelo zika vírus. O contágio se deu no ano passado, quando ela estava grávida e morava no Nordeste. A criança nasceu há um mês e passa bem, sem indícios de sequelas causadas pelo vírus. O HU acompanha o caso.

 

 

Atuação - Liderada pelo cientista Amadou, uma equipe senegalesa composta por mais quatro pesquisadores participou ativamente do combate ao ebola no oeste da África, quando houve um surto na região entre 2014 e 2015. Há duas semanas no Brasil, os pesquisadores vão colaborar com treinamento específico sobre o zika vírus, além de parcerias previstas para pesquisas nas áreas de entomologia, virologia e imunologia.

 

Há 20 anos colaborando com o Brasil, os cientistas do Instituto Pasteur de Dakar pretendem contribuir no estabelecimento de técnicas de isolamento e cultivo do zika vírus na implantação de testes de diagnóstico molecular e sorológico.

 

 

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