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Jornal de Jundiaí online

FMJ faz estudo com hormônio feminino

Publicado em 02 maio 2011

A Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) vem avançando em pesquisas científicas na região e, recentemente, teve um artigo publicado em revista do gênero, no Reino Unido, graças a um estudo que pode trazer uma boa notícia para quem tem diabetes. O professor de anatomia e pesquisador Eduardo José Caldeira constatou que o hormônio feminino estrógeno é capaz de reverter danos causados em órgãos, em decorrência do diabetes.

Até o momento, a insulina exerce papel importante no controle da doença, mas não reverte totalmente os danos. A pesquisa feita na FMJ, coordenada por Caldeira, comprova que a aplicação do hormônio feminino em células ´doentes´ das glândulas salivares - que têm características semelhantes ao pâncreas - são praticamente recuperadas.

"Os testes são laboratoriais e experimentais e, portanto, dão suporte para futuros estudos em células humanas", esclarece. O estrógeno, por exemplo, Caldeira relata que é importado dos Estados Unidos e sua composição é em forma de pó.

Trata-se do mesmo hormônio encontrado no ser humeno, o que permite obter resultados semelhantes ao que ocorreria no organismo.

Resultados - Os primeiros resultados da pesquisa inédita da FMJ foram concluídos, documentados e publicados em revista científica internacional. A próxima etapa, segundo o pesquisador, é dar continuidade ao estudo, aumentando a duração e a dosagem do tratamento. "A função da pesquisa é colaborar com os tratamentos que já existem para o diabetes e melhorar a qualidade de vida dos pacientes", salienta o professor.

O estudo foi feito com o diabetes tipo 1, que apresenta ausência total ou severa da insulina, levando o indivíduo a altas taxas de glicose no sangue. Durante a pesquisa, Caldeira e seu grupo de alunos observaram, além da recuperação das estruturas celulares, o aumento dos receptores de insulina, mostrando que a insulina voltou a atuar no órgão após o tratamento com estrógeno.

Segundo o professor, isto sugere que se o pâncreas está danificado e não produz mais insulina, outros órgãos (neste caso as glândulas salivares) poderiam ajudar na produção de insulina, quando estimuladas pelo estrógeno, e colaborarem para o controle do diabetes. "Estes receptores de insulina são como fechaduras que recebem o hormônio e abrem a passagem da glicose para o interior da célula e, assim sendo, a glicose no sangue diminui", afirma Caldeira, ressaltando que todo tratamento deve ter acompanhamento médico.

Verba - A pesquisa na FMJ conta com apoio do governo estadual, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Há cerca de dois anos, professores e alunos da faculdade realizam pesquisas voltadas ao tratamento do diabetes.

PAULA MESTRINEL

ALEX M. CARMELLO

Professor Eduardo Caldeira é coordenador do estudo na FMJ