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Jornal de Jundiaí online

FMJ começa diagnóstico do zika vírus no dia primeiro

Publicado em 12 fevereiro 2016

Por Conrado Guin

Estão previstos para 1º de março os testes do laboratório da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) que vão detectar o vírus zika no sangue de gestantes atendidas pelo Hospital Universitário (HU). Até o momento, os funcionários da instituição passaram por capacitações com a equipe da Universidade de São Paulo (USP) e o HU recruta voluntários que possam atuar no contato direto com as gestantes que passarão pelos exames.

Coordenador da pesquisa de zika vírus no HU e na FMJ, o médico Saulo Passos explica que a efetivação do trabalho para analisar amostras de zika em sangue humano depende de verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Não existe, para a venda no mercado, o reagente preparado para detectar o vírus em sangue humano. É necessário produzir o material, e isso demanda custo”, revela. Saulo também diz que a FMJ e o HU tentam, em parceria com a USP, obter verba por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Até o momento, todas as amostras de sangue colhidas nas gestantes de Jundiaí atendidas pelo HU estão sendo analisadas pelos laboratórios da USP. Assim que os resultados são liberados, as informações são compartilhadas com o hospital e a FMJ. Na próxima semana, o HU inicia o treinamento dos voluntários. O papel destas pessoas será fazer o acolhimento e orientar as gestantes a participarem dos testes para detectar o zika vírus. “Serão dois dias de treinamento com os voluntários. Além disso, os ginecologistas, obstetras e pediatras já capacitados vão compartilhar seus conhecimentos com as demais equipes do hospital, como a enfermagem e auxiliares.”

Segundo dados do hospital, 20 voluntários estão inscritos. “Precisamos de, pelo menos, mais dez pessoas, pois não temos condições de entrar em contato com todas as gestantes da região que atendemos. Quem puder disponibilizar quatro horas da sua semana pode ajudar, basta entrar em contato com o HU”, pede o médico. O requisito para o interessado é ter mais de 18 anos, facilidade em comunicação e disponibilidade de horário.

Casos - Desde que o zika se tornou uma preocupação mundial, o HU atendeu apenas uma gestante que adquiriu o vírus no ano passado, quando morava no Nordeste. O bebê, um menino, nasceu saudável e passa bem. Há ainda um caso suspeito em outra grávida, em investigação. “Queremos acolher e acompanhar a maior quantidade possível de gestantes, pois em 80% dos casos não há sintomas em quem está infectado pelo zika”, alerta Saulo.

Em janeiro, o HU recebeu pesquisadores do Instituto Pasteur de Dakar, do Senegal. Os profissionais do país africano - um dos primeiros a estudar o zika vírus em humanos - vieram ao Brasil compartilhar seus conhecimentos sobre a doença e seu diagnóstico. Hoje, o HU é um dos 28 polos de pesquisa sobre o vírus no Estado de São Paulo.