Notícia

Jornal de Jundiaí

FMJ: 45 anos e olhos no futuro

Publicado em 10 março 2013

Por Raquel Loboda Biondi

A Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) completa 45 anos na próxima terça-feira (12) e tem, além de um histórico de mobilizações sociais na cidade, um futuro traçado por linhas diversas em pesquisas científicas. O investimento no conhecimento possibilita, segundo o corpo docente da entidade, alternativas sobre diagnósticos e meios de tratamento que alcancem serviços públicos e a população. Hoje, somente em Iniciação Científica, realizada por alunos da graduação, a faculdade conta com 26 trabalhos, sendo 21 financiados pelo CNPq e cinco bancados pela própria FMJ.

Além de bolsas pela CNPq e FMJ, a entidade também conta com financiamentos da Fapesp (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) que permite, no espaço físico da faculdade, os laboratórios de Infectologia Pediátrica, Fisiopatologia da Inflamação e de Morfologia dos Tecidos.

Subsídios do governo federal também ajudam a faculdade a adquirir equipamentos de ponta utilizados nos projetos. Em um dos laboratórios da FMJ, pesquisas realizadas com o mesmo nível de universidades públicas, são feitas, diante da tecnologia.

“A FMJ, por ser uma autarquia municipal, consegue vínculos com o governo. Ademais, ao mostrarmos a qualidade das pesquisas, conseguimos manter os bons financiamentos”, conta o coordenador do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), desenvolvido na FMJ. Eduardo José Candeira, que também orienta pesquisas relacionadas ao tratamento e possível bloqueio do diabetes, através de vacina desenvolvida em seu laboratório.

Segundo ele, entre as 70 vagas anuais preenchidas por alunos na faculdade, há 30 bolsas para o PIBIC, seja pela FMJ, CNPq ou Fapesp. “O aluno que ingressa tem a oportunidade de se inscrever em um projeto científico. E percebemos que a qualidade dos projetos na graduação é cada vez mais elevada”, considera. Para cada bolsa, são 12 meses de projeto.

Na opinião de Eduardo, a pesquisa é a fonte de atualização da medicina e não para. “Um médico que não estuda está fora do mercado de trabalho”, pondera. Ao desenvolver a prática da pesquisa, os alunos da FMJ já tiveram artigos científicos publicados nos Estados Unidos, Reino Unido e outros locais fora do País. “O papel da faculdade é esse: gerar conhecimento e fazer com que ele se reverta em benefícios para a população.”

Amplas colheitas

As pesquisas de iniciação científica foram iniciadas na FMJ há nove anos. Já o programa de mestrado existe há três anos. De acordo com Eduardo, uma média de 20 projetos por ano são realizados na faculdade. Nestes nove anos, cerca de 200 trabalhos foram feitos. Coordenador geral de pesquisa e pós-graduação na FMJ, o pneumologista Evaldo Marchi acredita que a entidade vem se adequando cada vez mais às possibilidades de financiamentos do governo.

“Temos pesquisas que estudam os mecanismos de diabetes propondo estratégias de cura para a doença; outra linha que estuda o uso de biomateriais para regeneração óssea; estudo da aplicação de biomateriais em tecidos e vasos sanguíneos; além de trabalhos com idosos sobre qualidade de vida e outra linha sobre doenças pulmonares”, destaca o profissional. Todos os trabalhos, segundo ele, buscam alternativas para os resultados já obtidos com doenças crônicas.

Eduardo, que orienta a vacina para bloquear o diabetes e segue com sua equipe para um congresso em Boston (EUA) para apresentar este estudo, avalia as pesquisas da FMJ como uma cultura criada. “Vim de Bauru para cá e percebo o quanto evoluímos. A FMJ fez uma base que reflete em resultados. Todo projeto é um embrião. Por isso, a pesquisa é importante. É a faculdade interagindo com a população.”

Orientando no segundo ano de mestrado, Raphael Netto, também atuante em pesquisa sobre o diabetes, veio de Hortolândia estudar na FMJ. Como ele, a colega Magda Jaciara Andrade Barros, vinda de Pernambuco e ingressante neste ano no mestrado, só têm, elogios aos Laboratórios de trabalho. “Muitos professores de fora falam que não há equipamentos como temos aqui”, disseram.

Na sociedade, projetos também já têm alcance. Trabalhos sobre obesidade infantil são feitos nas escolas da rede municipal. Fora isso, os estudantes do setor primário atuam em Unidades Básicas; os do Secundário estão no Ambulatório de Especialidade; e do Terciário, trabalham no Hospital Universitário (122 leitos) e Hospital São Vicente de Paulo (218 leitos).