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Amazônia

Florestas tropicais terão árvores extintas devido a falta de chuva, aponta estudo

Publicado em 23 setembro 2020

Por Site

Um estudo do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) aponta que as florestas tropicais, responsáveis por dois terços da biodiversidade mundial, correm o risco de terem suas espécies de plantas reduzidas e extintas por causa do aumento da temperatura e da ausência de chuvas. Intitulado de Esecaflor (Seca da Floresta), o experimento está sendo realizado ao longo de duas décadas na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará. O seu principal objetivo é entender como o aumento de temperatura causado por fenômenos como o El-Niño – caracterizado por mudanças nas temperaturas das águas do Oceano Pacífico – e mudanças climáticas podem afetar a floresta.

Originado no Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), o Eseclafor se concentra em duas faixas da floresta, de um hectare cada (equivalente a um campo de futebol). Em uma delas, os especialistas instalaram 6 mil painéis de plásticos transparentes a uma altura média que fica entre 1,5 e 3,5 metros acima da superfície. Essas telas ajudam a simular as altas temperaturas e condições semelhantes às projetadas para a região amazônica por estudos climáticos, pois impedem que a água penetre o solo.

Quando comparada a outra faixa da floresta, que estava sem os painéis, especialistas observaram que a área coberta com plástico apresentou uma taxa duas vezes maior de mortalidade de árvores. Houve redução de espécies de árvores, arbustos, epífitas e palmeiras.

“Há também uma nítida modificação da composição de espécies, sendo a parcela experimental representada por indivíduos mais tolerantes à redução da umidade do solo. A única forma de vida beneficiada com a redução da umidade do solo na parcela experimental foram os cipós, que aumentaram em número de espécies, indivíduos e biomassa”, conta Leandro Valle Ferreira, ecólogo e coordenador do projeto.

A Amazônia foi o local e o principal foco do experimento. Leandro Valle Ferreira revela preocupação com a floresta sul-americana. “A Amazônia se tornará mais seca e pobre em espécies, confirmando as previsões pessimistas dos cientistas”, afirma.

De acordo com o pesquisador, os impactos sobre a Amazônia podem se estender a outros biomas. “Reduzindo a quantidade de chuvas na região amazônica, outros biomas ficarão mais secos também. Eles são interligados e têm uma dinâmica climatológica entre eles. Portanto, qualquer alteração vai consequentemente prejudicar os outros biomas, como o próprio Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica”, explica.

Por: Marcos Furtado

Fonte: O Eco