Notícia

Gazeta Mercantil

Florense faz cadeira inteligente

Publicado em 12 fevereiro 1996

Por Guilherme Arruda - de Porto Alegre
A fábrica de Móveis Florense Ltda., de Flores da Cunha (RS), firmou com a Figueras International Seating S.A., de Barcelona (Espanha), um acordo para produzir com exclusividade no Brasil poltronas para auditórios com características inéditas. A tecnologia espanhola evita a produção de eco em auditórios vazios, pois cada cadeira simula o peso de uma pessoa de até 80 quilos. Isso significa que, quando a poltrona estiver desocupada, a distribuição do som no ambiente não fica prejudicada. A cadeira dispõe, também, na sua base, de uma tubulação que permite a absorção do ar do auditório, remetendo-o ao sistema de ar condicionado, como forma de auxiliar a renovação do ambiente. Os principais componentes e a espuma injetada serão fornecidos pela Figueras e a montagem será feita em Flores da Cunha, incluindo a parte de madeira e revestindo em tecido. "A Figueras realizou diversos testes e obteve certificados comprovando a qualidade desses dispositivos", disse o diretor comercial da Florense, Gélson Castelan. "Não existe nada similar no País", assegura Castelan. A empresa gaúcha venceu uma concorrência entre mais de vinte participantes para fornecer 1.834 dessas poltronas, também chamadas de "poltronas inteligentes", ao centro de eventos da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), num investimento de R$ 900 mil. Ao todo são três modelos diferentes ao custo unitário que varia de R$ 350,00 a R$ 500,00. Esses valores, segundo o empresário gaúcho, se aproximam de produtos nacionais. "A diferença é que a nossa tem tecnologia avançada", ressalta o diretor comercial. A entrega das poltronas está programada para dentro de 120 dias, bem como os móveis de madeira que formam o hall de entrada do centro e 35 poltronas especiais que fazem parte da mesa principal do auditório, numa negociação realizada separadamente das poltronas. A Florense investiu nos últimos dois anos cerca de R$ 4 milhões em projetos de modernização e tecnologia para fabricação de cozinhas e móveis para escritório em mogno, cerejeira e pinus. O faturamento, que em 1994 foi de R$ 30 milhões, elevou-se para R$ 45 milhões no ano passado e deve alcançar R$ 50 milhões neste ano. "O ano de 1995 foi bom para nós porque conseguimos recuperar alguns mercados que estavam com problemas no passado", disse o diretor comercial. As exportações representaram 12% do faturamento. As obras do centro de eventos da Fiergs iniciaram-se em 1990 e devem estar concluídas dentro de cinco meses, num investimento de R$ 25 milhões. São 18 mil metros quadrados de área construída, divididos em cinco pavimentos. O auditório - o maior do estado - terá 1.814 lugares, sendo 624 no mezanino (que pode ser subdividido em dois pequenos auditórios), 684 na platéia baixa e 504 na platéia alta (que também pode ser subdividida em duas). Projetado pelo arquiteto Pedro Simch, o centro de convenções terá ainda catorze salas de reuniões, seis lojas de conveniência, serviço de copa em todos os andares, um restaurante, consultório médico, agência bancária e uma capela.