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Físicos do campo da óptica dividem Nobel

Publicado em 05 outubro 2005

Por Eduardo Geraque, da Agência FAPESP

O campo da óptica volta a ser premiado pela Real Academia Sueca de Ciências. Nesta terça (4/10) a comunidade científica conheceu os vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2005. Na verdade, trata-se de um trio.
O pesquisador Roy Glauber, de 80 anos, da Universidade de Harvard, foi declarado vencedor de metade do prêmio. John Hall, 71, compatriota dele, da Universidade do Colorado, ficará com 1/4 do valor de US$ 1,29 milhão e a glória de entrar para a história como um laureado. O 1/4 restante vai para Theodor Häensch, 63, pesquisador alemão do Instituto Max Planck.
"Sem dúvida que o prêmio está em boas mãos. Apesar de, no caso do Glauber, ele ser até um pouco tardio", disse Vanderlei Bagnato, professor do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, à Agência FAPESP.
O próprio pesquisador brasileiro recebeu Häensch em seu laboratório em São Carlos, no ano passado. "Ele ficou surpreso com a qualidade das pesquisas e das nossas instalações", lembra Bagnato, que ganhou o prêmio José Reis de Divulgação Científica em 2004.
Todos os três homenageados pela Academia Sueca nesta terça deram contribuições, e mostraram caminhos científicos considerados essenciais hoje, para seus campos de pesquisa. "Os trabalhos de Glauber, principalmente nos anos 1960 e 1970, foram fundamentais para o desenvolvimento de uma área toda da física, chamada de óptica quântica", explica o pesquisador brasileiro. No Brasil, nesse setor, existem grupos importantes como o de Luiz Davidovich, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Enquanto o teórico Glauber descreveu as propriedades da luz com base na mecânica quântica, Häesnch e Hall fizeram descobertas relevantes para o avanço das técnicas de espectrometria de alta precisão. Isso permitiu, entre outros avanços, a montagem do relógio atômico. Häensch, por exemplo, usou pulsos de laser com intervalos regulares para determinar o valor das freqüências, os chamados "pentes de freqüência".
"A óptica tem sido contemplada pelo Nobel com freqüência. Isso mostra a importância dessa área tanto para o meio científico como para a sociedade em geral", analisa Bagnato. O grupo de São Carlos é o único na América Latina a ter montado um relógio atômico de precisão.
Mais informações: http://nobelprize.org/