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MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

Físico Jean Meyer morre na França aos 85 anos

Publicado em 27 setembro 2010

O físico Jean Albert Meyer, um dos fundadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT), do Rio de Janeiro, morreu na sexta-feira (24), aos 85 anos, em Paris, em decorrência de um derrame. Seu corpo será cremado no cemitério Père-Lachaise, na capital francesa, na quarta-feira (29), às 10h20.

Meyer foi físico experimental de grande capacidade científica e de organização de pesquisa, apesar de ter feito grande parte de sua carreira no exterior - na Itália e em importantes laboratórios europeus -, deu contribuições significativas nas universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), nas federais da Bahia (UFBA) e do Rio de Janeiro (UFRJ), e em diversos órgãos de fomento à pesquisa no Brasil, como Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Ele nasceu em Dantzig (hoje Gdansk), na Polônia, em 25 de maio de 1925. Com as perseguições nazistas contra os judeus, veio com a família a São Paulo, em 1940. Estudou no Colégio Franco-Brasileiro e trabalhou como operário em uma indústria química, até terminar o curso universitário.

Indeciso entre física e filosofia, conheceu o professor Gleb Wataghin (1899-1986), então diretor do departamento de Física da USP, e entrou para o curso de física. Começou a trabalhar em experiências sobre raios cósmicos, construindo detectores geiger.

Meyer não é muito conhecido no meio brasileiro. Provavelmente, isso ocorre, sobretudo, por três razões: pela evidência internacional de alguns colegas da sua geração como César Lattes, José Leite Lopes e Roberto Salmeron; por ter vivido a maioria do seu tempo fora do País e, por isso, a sua atuação ter ocorrido mais no estrangeiro; e pela sua modéstia e senso crítico em relação ao seu trabalho.

Em 1969, trabalhou no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), na Suíça, em experiências com aceleradores de partículas. Organizou um programa de pesquisas apoiado pela Finep, sobre fontes de energias alternativas e, em 1975, voltou ao Brasil, dessa vez na Unicamp, para liderar um grupo no então novo campo de pesquisa.

Ele também foi um dos impulsionadores do projeto do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), de Capinas (SP). "Era um prazer trabalhar com ele. A comunidade usuária do LNLS deve mais a Meyer do que sabe ou imagina", diz Cylon Gonçalves da Silva, presidente da Ceitec, professor emérito do Instituto de Física da Unicamp e coordenador adjunto de Programas Especiais da Fapesp.