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Universia Brasil

Física filosófica

Publicado em 03 agosto 2006

O físico alemão Albert Einstein (1879-1955) gerou um grande impacto no mundo científico há mais de cem anos, com a Teoria da Relatividade e outros estudos relevantes. Apesar de não ter sido o único a se interessar pela filosofia da ciência, essa relação com outros mundos acabou sendo decisiva, segundo o pesquisador Sílvio Dahmen, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), para a vida desse grande nome da ciência.
"Marcante na postura filosófica de Einstein foi sua insistência pelo direito à abstração, por esta permitir um avanço além das fronteiras conhecidas do conhecimento, mas por outro lado sua postura realista, da existência de um mundo externo alheio à nossa vontade e da experiência como determinante do sucesso ou insucesso de uma teoria", escreve o pesquisador gaúcho.
Em artigo na Revista Brasileira de Ensino da Física, intitulado Einstein e a Filosofia, Dahmen discute alguns pontos básicos dessa relação inspiradora vivida pelo gênio alemão. E ao citar as palavras do físico e filósofo Mario Bunge, o autor rapidamente justifica o por que, para ele, é tênue linha divisória entre a física e a filosofia.
"Todo cientista nutre posturas filosóficas, embora freqüentemente nem todos o façam de maneira totalmente consciente." Para o pesquisador da UFRGS, mais do que "conhecer", é necessário entender a origem e a abrangência do conhecimento.
Segundo Dahmen, que baseia seu artigo no texto Física e Realidade, talvez tenha sido Einstein aquele que, de maneira mais incisiva, propugnou a importância da filosofia para a física. "Sua dimensão como homem público - o cientista, o político, o pacifista - levou-o, em diferentes ocasiões, a expressar-se acerca desse tema", diz. [FAPESP]