O Brasil celebra um grande avanço na luta contra a dengue: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Um marco da ciência brasileira, o novo imunizante representa uma ferramenta poderosa no enfrentamento de uma das doenças mais desafiadoras do país e do mundo.
Essa conquista contou com a contribuição da Fiocruz Pernambuco, que integrou uma rede de 16 centros de pesquisa nacionais que apoiaram a fase 3 dos estudos clínicos, realizados de 2016 a 2024. Uma etapa na qual foram recrutados em todo o país cerca de 16 mil voluntários, com idades entre 2 e 59 anos. “Foi um processo desafiador, com um acompanhamento rigoroso de cada participante, por pelo menos cinco anos, durante o qual o Brasil enfrentou a sazonalidade da circulação do vírus e os impactos da pandemia de Covid-19”, lembra o pesquisador da Fiocruz Pernambuco e coordenador local do estudo, Rafael Dhalia.
A aprovação da Butantan-DV pela Anvisa na última quarta-feira (26/11) reconhece o esforço e os resultados obtidos nessa jornada. Os primeiros passos remontam à década de 1990, nos Estados Unidos, onde cientistas do Instituto Nacional de Saúde (NIH) identificaram os melhores candidatos para uma formulação tetravalente. Após anos de pesquisa e adaptações, o Instituto Butantan obteve as patentes das cepas e, a partir de 2016, conduziu o estudo clínico multicêntrico de fase 3, que obteve resultados robustos. A vacina apresentou 75% de eficácia contra a doença e mais de 90% de eficácia contra as formas graves e hospitalizações. “Além disso, possui diferenciais importantes: a produção nacional e a aplicação em dose única, características que prometem aumentar a adesão e facilitar a logística de distribuição”, explica o pesquisador.
Com mais de 1 milhão de doses prontas e 30 milhões previstas para chegar no segundo semestre de 2026, em parceria com uma farmacêutica chinesa, o Instituto Butantan acelera os preparativos para a campanha de imunização contra a dengue do Programa Nacional de Imunização (PNI). A expectativa é que a vacina amplie significativamente a cobertura vacinal, superando barreiras logísticas e entrando no combate global contra a dengue, que está entre as 10 maiores ameaças à saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Publicado em Fiocruz Pernambuco