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Finep libera recursos para produção de fungos no Paraná

Publicado em 31 janeiro 2007

Por Agência FAPESP

Os pequenos agricultores do oeste do Paraná ganharão um reforço no combate às pragas de suas plantações. Trata-se de um laboratório de fungos entomopatogênicos - provocam doenças em insetos -, que será construído até o fim do ano em Cascavel, a 500 quilômetros de Curitiba. Os recursos serão liberados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) até o fim de março, quando serão iniciadas as obras.
Coordenada pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a produção dos fungos para controle biológico deverá suprir a demanda dos produtores de cultivos orgânicos e agroecológicos, que não utilizam agrotóxicos para eliminar insetos parasitas. Segundo o professor e coordenador do projeto, biólogo Luís Francisco Angeli Alves, muitos agricultores daquele estado compram esses fungos em São Paulo.
O novo laboratório deverá seguir o mesmo sistema de produção dos existentes no estado de São Paulo, usando o arroz para cultivar os microrganismos. Serão produzidos os fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana, que atacam parasitas como ácaros, gafanhotos, broca-do-café, mosca branca, tripés e cigarrinhas da cana-de-açúcar e de pastagem.
A prática de controle biológico é antiga no Brasil. Na década de 1960 já se utilizava o M. anisopliae no combate a cigarrinhas da cana-de-açúcar no Nordeste. Segundo Alves, trata-se de boa saída para pequenos agricultores do oeste paranaense, que cultivam produtos como mandioca, algodão, café e hortaliças.
O coordenador do projeto acredita que há grandes vantagens no controle biológico em relação ao uso de agrotóxicos, sendo a principal delas o aspecto ambiental. "A aplicação dos fungos não deixa resíduos, não provoca o crescimento de populações de pragas resistentes e preserva a fauna e a flora", disse.
Uma série de análises em laboratório foi feita para avaliar se, por exemplo, os fungos não atingiriam outras populações de insetos não parasitas de plantas. Alves cita um trabalho com o inseto "benéfico" do gênero Trichogramma, que ajuda a combater pragas atacando os ovos de parasitas.
O professor explica que a natureza já é alterada quando é feito uso agrícola de uma área — o aumento do número de pragas e de seus predadores são conseqüência dessa alteração. "Mas comparado com o inseticida químico, o impacto é bem menor quando se utiliza o produto biológico", ressalta.
Sobre a presença de resíduos, ele explica que é grande o problema da contaminação de corpos d'água por agrotóxicos, o que não ocorre com o uso de fungos, cujo tempo de vida é bem menor. Não há ainda problemas à saúde do produtor e dos consumidores.
Entre os fatores negativos do controle biológico, Alves destaca o custo mais elevado e a necessidade de maior cuidado com a aplicação, dependendo da hora do dia, do tamanho da área e da quantidade de insetos. "A proposta é fazer um treinamento com produtores e acompanhar a aplicação dos fungos".

(As informações são da Agência Fapesp)