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Filho de timonense brilha em São Paulo

Publicado em 10 dezembro 2016

Por Valquíria Carnaúba

 

Dorival Mendes Rodrigues Junior, aluno de doutorado do Programa de Pós-graduação em Biologia Molecular (Unifesp), venceu a segunda edição do Prêmio de Inovação do Grupo Fleury (PIF). Seu estudo sobre marcadores moleculares de resistência à quimiorradioterapia foi reconhecida como a mais inovadora do ano, entre 85 trabalhos inscritos de todo o Brasil.

 

Os finalistas terão a oportunidade de vivenciar a rotina da área de pesquisa e desenvolvimento da companhia. Sob orientação de André Luiz Vettore, professor adjunto do Departamento de Ciências Biológicas (Campus Diadema), o doutorando descobriu que as vesículas extracelulares (VEs), mediadoras importantes de comunicação intercelular, estão presentes no plasma de pacientes com carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço (CECP).

 

“As VEs carregam proteínas e ácidos nucléicos que podem estar envolvidos com a resposta desses pacientes ao tratamento quimiorradioterápico”, afirma Mendes. Segundo o pesquisador, o trabalho tem a finalidade de permitir a identificação dos pacientes com CECP que não respondem ao tratamento tradicional. “Essa segregação aconteceria já no diagnóstico: após a coleta de plasma dos pacientes com tumor de cabeça e pescoço, um simples exame laboratorial poderia detectar a presença do marcador nas VEs”, explica.

 

O CECP é um tipo de câncer que totaliza 500 mil casos novos por ano no mundo. Segundo Mendes, cerca de 30% dos pacientes que apresentam CECP não respondem ao tratamento com quimioradioterapia sendo submetidos a cirurgias de resgate muitas vezes desfigurantes. Aproximadamente 50% dos pacientes acometidos por esta neoplasia não sobrevivem aos primeiros 5 anos após o diagnóstico, principalmente devido à alta incidência de recorrências locais ou sistêmicas.

 

“A identificação de marcadores moleculares nos fluidos corporais que indiquem as chances de resposta ao tratamento dos pacientes com CECP pode aumentar as taxas de sucesso na extinção desse tipo de câncer”, comemora o doutorando. A pesquisa, que contou com o apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do National Cancer Centre of Singapore e do Institute of Medical Biology of Singapore, pode ser patenteada em breve.

 

“Pretendemos aumentar a casuística do estudo e a patente já está em andamento para submissão junto ao Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT/Unifesp), finaliza.