Notícia

O Estado do Paraná

Filhas de mães fumantes tendem a fumar

Publicado em 11 fevereiro 2007

Agência Fapesp

Em 1982, pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) entrevistaram as mães de 5.914 bebês nascidos em três maternidades da cidade gaúcha para coletar dados socioeconômicos e obter informações sobre a gravidez e o comportamento social familiar.

Nos anos de 2000 e 2001, os adolescentes nascidos em 1982 completaram a maioridade e foram procurados pelos mesmos pesquisadores, que aplicaram questionários nos 2,2 mil rapazes e 473 moças localizados. O alistamento militar foi um dos fatores que auxiliou na busca pelos homens. O objetivo foi verificar a relação entre o ambiente social e os fatores de risco que, presentes no início da vida, determinaram a prevalência do tabagismo na adolescência.

Entre os homens, 48,6% haviam experimentado cigarro e 15,8% fumavam diariamente. Nas mulheres, os índices foram de 53,1% e 15,4%, respectivamente. Ana Maria Menezes, Pedro Hallal e Bernardo Horta, autores do trabalho, apontam que, embora o consumo diário de cigarros tenha sido semelhante para rapazes e moças (15%), os fatores de risco associados ao hábito de fumar foram diferentes entre os sexos.

Segundo o estudo, no caso dos meninos, o fumo na adolescência foi mais freqüente entre os que eram filhos de mães solteiras ou de pais com baixa escolaridade. Já as meninas fumantes pertenciam a famílias nas quais as mães fumaram durante a gravidez e os pais tinham problemas relacionados ao álcool.

"Por se tratar de uma pesquisa quantitativa, fizemos apenas as associações dos fatores de risco. A proposta não foi avaliar as razões dessas diferenças, o que demandaria novos estudos qualitativos", disse Ana Maria Menezes, professora do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da UFPel.