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Informe MS

Ferramentas da supercana

Publicado em 19 março 2009

Em busca da identificação, entre outras metas, de genes de interesse para o aumento do teor de sacarose da cana-de-açúcar, que é um dos meios de aumentar a produtividade sem aumentar a área cultivada, cientistas de diversos países participaram do Workshop Bioen on Sugarcane Improvement, que termina nesta quinta-feira (19/03) na sede da Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo), na capital paulista.

Um dos objetivos do evento é trocar experiências visando à identificação de ferramentas para a descoberta de novos genes da cana-de-açúcar, além de traçar os conhecimentos científicos que nos próximos anos serão necessários para o melhoramento genético da planta.

Rosanne Casu, da Australian Commonwealth Scientific and Research Organization (CSIRO), a agência nacional de pesquisa científica da Austrália, ressaltou que a descoberta de novos genes é importante para auxiliar na melhor compreensão dos processos metabólicos da cana.

Ela ilustrou a importância das pesquisas realizadas com dados da indústria de açúcar australiana, formada por cerca de 6 mil produtores que operam em 4,5 mil fazendas, localizadas em sua maioria no estado de Queensland, nordeste do país, resultando em aproximadamente 4,75 milhões de toneladas de açúcar bruto.

“Cerca de 80% dessa produção é exportada a clientes na Ásia, Oriente Médio e América do Norte, gerando mais de US$ 1,7 bilhão para a economia australiana”, apontou.

Segundo ela, as pesquisas em melhoramento de plantas convencionais, em diversos centros de ensino e pesquisa da Austrália, têm favorecido, nas últimas décadas, o aumento do rendimento e da produção do açúcar.

“Tivemos grandes aumentos na quantidade de açúcar produzido em nossas usinas, ainda que o conteúdo de açúcares nas plantas não tenha crescido significativamente”, reconheceu.

Para o maior rendimento de açúcares na planta, em áreas como o caule que, segundo ela, ainda abriga baixo teor de sacarose, os pesquisadores vinculados ao CSIRO investem, desde 1998, no estudo e no aprimoramento de técnicas inovadoras em genômica funcional.

“Essas técnicas permitem a expansão da investigação biológica para o estudo de muitos genes e proteínas de uma só vez e de maneira sistemática. Nos últimos anos identificamos mais de 8 mil genes nos caules maduro e imaturo da cana, alguns relacionados ao acúmulo de açúcares e à biossíntese de fibras”, destacou.

Segundo Rosanne, a descoberta de genes da cana-de-açúcar foi o primeiro passo para o bom andamento das investigações científicas na área, além de que diversos programas na Austrália só começaram a ter valor quando as coleções inteiras desses genes ficaram disponíveis para livre análise.

“Quando essas descobertas começaram a ser divulgados amplamente, a comunidade cientifica passou a desenvolver microarrays [chips de DNA] comerciais, permitindo a criação de bancos de dados para a posterior análise e recombinação de genes para o melhoramento da cana-de-açúcar”, disse.

Tecnologias

Derek Watt, do Instituto de Pesquisa de Cana-de-açúcar da África do Sul (Sasri), apresentou no workshop a trajetória das pesquisas realizadas na entidade para a melhoria genética da planta.

Segundo ele, a maior parte das organizações e institutos de pesquisa em cana-de-açúcar no mundo tem o privilégio de usar muitas tecnologias inovadoras de sequenciamento de expressões gênicas, gerando o que ele chamou de “capacidade de pesquisa ultra-alta”.

“Esses avanços tecnológicos combinados com a emergência de grandes volumes de informações também têm afetado o modo de pesquisar no Sasri. Há pouco tempo nossos estudos em genômica eram muito descritivos, mas, com o advento dessas plataformas tecnológicas e de novas informações, ultimamente temos ido mais em direção à pesquisa aplicada, sobretudo nas áreas de patologia e de melhoramento molecular”, disse.

Watt demonstrou também estudos feitos no Sasri com melhoramento genético assistido por marcadores moleculares, transgenia e biologia da cana-de-açúcar.

“Um de nossos objetivos é saber como as sequências de genes e suas expressões podem ser utilizadas para entender a cana-de-açúcar como um sistema. Estamos muito interessados no grupo de processos que pode regular o acúmulo de sacarose, por isso boa parte de nossos trabalhos está focada no metabolismo do caule da planta, apesar de sabermos que outros processos que ocorrem na folha também podem contribuir para esse acúmulo”, disse.

Fonte: Agência Fapesp