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Agência Gestão CT&I

Ferramenta informará cidadãos sobre tempestades

Publicado em 07 setembro 2016

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desenvolveram uma tecnologia inédita para fazer a previsão imediata de tempestades. A ferramenta SOS Chuva fornecerá à população informações sobre a ocorrência de raios, rajadas de vento e chuvas de granizo, incluindo o tamanho das pedras.

Além de reduzir o número de mortes causadas por deslizamentos de terra e inundações, os dados serão aplicados para expandir a agricultura de precisão, diminuindo os prejuízos provocados por eventos extremos. Os equipamentos já foram instalados, e a expectativa dos pesquisadores é de que o SOS Chuva entre em operação em novembro deste ano em Campinas (SP).

"O sistema é tão preciso, que será possível dizer quando e quanto vai chover em determinado bairro. Vamos saber se haverá granizo e qual o tamanho das pedras. Poderemos orientar a população em detalhes, evitando uma série de acidentes em decorrência de queda de árvores, raios, deslizamentos de terra ou inundações. Isso é nova ciência", explica o pesquisador Luiz Augusto Machado, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe).

Segundo Machado, que coordena a equipe de mais de 50 cientistas brasileiros e estrangeiros que trabalham no SOS Chuva, o projeto já foi apresentado para a Defesa Civil, que poderá usar as informações para minimizar os danos provocados pelas chuvas nas áreas de risco. Mas a proposta é que a população também se aproprie do SOS Chuva. Para isso, será desenvolvido um aplicativo em que o usuário poderá interagir e enviar informações. "A ideia é que daqui a um ano todo mundo tenha o aplicativo para poder se proteger."

Metodologia

Para elaborar previsões com alto grau de precisão, os pesquisadores tiveram que estudar os processos físicos que ocorrem no interior das nuvens. São eles que definem a severidade dos eventos climáticos, um assunto que desafia a ciência. Mas um equipamento em especial permitiu que os cientistas avançassem no conhecimento sobre o que acontece nas nuvens.

Dados captados por um radar de dupla polarização durante dois anos abriram o caminho para o desenvolvimento de um sistema de alerta de tempestades intensas. Sensores, pluviômetros e novos algoritmos complementaram a infraestrutura necessária para que o projeto, depois de dez anos, saísse do papel.

Com capacidade para cobrir uma área de 100 quilômetros, o radar usado no SOS Chuva custou 600 mil euros, pagos com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investiu R$ 3 milhões no projeto. Embora o Brasil já disponha de radares desse tipo, o conhecimento ainda é restrito. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) possui nove radares de dupla polarização, mas nenhum usado para previsão imediata de chuvas.

(Agência Gestão CT&I, com informações do MCTIC)