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Gazeta de Piracicaba online

Ferramenta indica redução da taxa de transmissão

Publicado em 24 agosto 2020

Por Adriana Ferezim

Aumento de testagem, baixo crescimento de casos confirmados, suspeitos e óbitos, redução de internados e aumento de recuperados. Esse é o diagnóstico atual da Região de Piracicaba da Covid-19, conforme dados de uma ferramenta que usa Matemática e Inteligência Artificial para analisar o estágio diário e prever a evolução do novo Coronavírus. Por essa Plataforma desenvolvida por professores e pesquisadores da USP e Unesp, a reprodução do vírus está em 0,33, considerado estágio de controle. Quando a taxa está em 1, como ocorre com Campinas (SP), isso indica que uma pessoa ainda transmite o vírus para outra.

"Na Região de Piracicaba, a transmissão está em menos de um, a taxa atual indica que precisaria de três pessoas para contaminar uma", explicou o cientista de dados Wallace Casaca, pesquisador docente do Curso de Ciências da Computação da Unesp. As informações estão disponíveis ao público em dados e gráficos na Plataforma Online 'Info Tracker'.

Os pesquisadores do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) tiveram apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para desenvolver a ferramenta com a metodologia para fazer as projeções de 22 Regiões do Estado e de 91 municípios analisados.

"Piracicaba é uma das Regiões que mais tem reduzido a doença de forma considerada. O município também e com exceção da ausência do número de internados, as outras informações são disponibilizadas diariamente", afirmou Casaca. Entre os dias 15 e 21 de agosto, a plataforma indica que, na Região, houve redução de 6,59% nos óbitos, queda de 15% nas internações , houve aumento de 8,56% na aplicação de testes e os casos aumentaram 6,86%.

Na cidade de Piracicaba, nos últimos sete dias, a quantidade de pacientes recuperados da Covid-19 aumentou 15,79%, passando de 6.592 para 7.633. Os óbitos cresceram 6,5%, e os casos aumentaram 7,21%, passando de 9.898 para 10.612. Os testes em Piracicaba tiveram um aumento de 10,37% nos últimos sete dias, segundo o estudo.

O pico da Covid-19

Os gráficos da Plataforma indicam a descida da curva da Covid-19. Casaca ressaltou que o pico da doença no município de Piracicaba foi no período de 30, 31 de julho e 1º de agosto. "Depois dessa data, a quantidade de novos casos começou a reduzir e a curva baixou. Isso não indica que testes deixaram de ser realizados. O número de casos descartados passou a ser superior ao dos casos confirmados. Isso é um indicador de que a aplicação de testes continua e até ampliou", relatou.

O diretor da Diretoria Regional de Saúde de Piracicaba (DRS-X) que abrange 26 cidades da Região, Hamilton Bonilha, revelou que o panorama da pandemia na diretoria apresenta tendência de estabilização de casos, crescimento de óbitos e decréscimo de internações.

Ele informou que os dados do Boletim Epidemiológico da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica (CVE) referentes ao período de 9 a 15 de agosto, indicam que a DRS-X Piracicaba, em relação a porcentagem de casos confirmados por tipo de teste apresenta que os diagnósticos foram confirmados 43,5% pelo teste, 51,1% pelo teste rápido, 1,8% de teste sorológico e outros 2,4%.

"Em relação ao diagnóstico por RT PCR (43,5%), o DRS Piracicaba ficou em 16º lugar, perdendo apenas para o DRS Presidente Prudente (SP). Pelo teste rápido (51,1%), o DRS Piracicaba ficou em 1º lugar", comentou. Segundo ele, o maior número de casos confirmados no Estado de São Paulo foi no dia 13 de agosto de 2020 e o maior número de óbitos em 4 de julho.

Bonilha revelou a projeção de ocupação das UTIs. No dia 12 de setembro, dos 248 leitos para Covid-19, 170 ainda deverão estar ocupados na Região em virtude da doença. A projeção para essa data apenas dos Leitos UTI do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 67 ocupados do total de 121.

"Ao analisarmos esses dados em relação ao DRS Piracicaba evidencia-se um aumento no número de novas internações, tendência de estabilização na taxa de ocupação de leitos de UTI SUS e uma tendência de decréscimo no número de óbitos confirmados. A constatação de que esse crescimento de novas internações está ocorrendo em faixas etárias mais baixas que as anteriores, em consequência da maior exposição após a flexibilização da Quarentena, como observado em dois hospitais de Piracicaba, na última sexta-feira (21), que apresentavam uma média de idade de 52 anos de idade e de 45 anos de idade, acende um sinal de alerta quanto a possibilidade de um ressurgimento recente de casos como vem acontecendo em alguns países europeus", alertou.

No que se refere ao percentual de casos confirmados, na última semana, por tipo de exame, Bonilha, que é médico infectologista, afirmou que existe a preocupação de quanto ao maior número de diagnóstico realizado por teste rápido e não por RT-PCR. "Isso impacta na demora dos isolamentos, rastreamento de casos e Quarentenas, ações fundamentais para mitigar a pandemia", comentou.

Em relação a taxa de ocupação de leitos de UTI SUS com o fornecimento de 163 respiradores pelo Governo do Estado de São Paulo para os municípios da DRS X, "mesmo no cenário mais pessimista da pandemia a estimativa de se esgotar leitos em 12 de setembro de 2020 é menor que 0,01%, o que extingue totalmente o temor do colapso do Sistema de Saúde".