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Ferramenta facilita mapeamento de plantas poliploides

Publicado em 11 novembro 2019

Por Janaina Simões | Agência FAPESP

Um inovador sistema de mapeamento genético para espécies poliploides promete facilitar o trabalho de cientistas e criadores de plantas que usam genômica para desenvolver variedades que são mais produtivos e resistentes a doenças ou secas. Poliplóides são organismos com mais de dois conjuntos de cromossomos. Muitas espécies de plantas de valor econômico, como batata, trigo, algodão e cana, são poliploides.

A pesquisa foi realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), em Piracicaba, com o apoio da FAPESP. Os resultados foram publicados na revistaG3: Genes, Genomas, Genética. O pacote de software de código aberto é chamado MAPpoly e pode ser baixado gratuitamente da Internet.

Até o momento, apenas sistemas para mapeamento genético de espécies diplóides (2n) ou poliplóides simples (4n) estavam disponíveis (n refere-se ao número de cromossomos únicos em cada célula). Para poliploides complexos (Xn, várias cópias), há muito mais combinações possíveis de cromossomos, e o processo de mapeamento é muito mais difícil de executar.

Muitas culturas foram geneticamente melhoradas e são poliploides. A batata doce (Ipomoea batatas), por exemplo, é hexaplóide (6n, com seis cópias de cada cromossomo). As variedades de cana-de-açúcar (Saccharum spp.) cultivadas por produtores de açúcar e etanol no Brasil e em outros países estão entre 6n e 14n, tornando-os um desafio assustador do ponto de vista da pesquisa genética.

Encontrar uma maneira de mapear a genética de plantas tão complexas foi o foco inicial de pesquisa para Marcelo Mollinari, atualmente um pós-doutorado na North Carolina State University em Raleigh (EUA). Ele desenvolveu grande parte de seu sistema enquanto conduzia pesquisas de pós-doutorado sob a supervisão de Antonio Augusto Franco Garcia, professor do Departamento de Genética da ESALQ-USP, e com bolsa da FAPESP.