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Ferramenta antecipa poluição em São Paulo

Publicado em 09 setembro 2014

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma ferramenta computacional que prevê com alto grau de precisão, e no mínimo 48 horas de antecedência, a qualidade do ar nas diversas áreas da Região Metropolitana de São Paulo. Fornecendo antecipadamente os dados e as datas sobre momentos em que a poluição aumenta e causa maior número de casos de atendimento médico e hospitalar, a ferramenta deverá ajudar no planejamento dos serviços de saúde e na adoção de medidas de prevenção.

Coordenado pela professora Maria de Fátima Andrade, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, o trabalho se deu no âmbito de um projeto temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A poluição pode matar seis vezes mais do que a Aids ou três vezes mais que acidentes de trânsito ou câncer de mama nos próximos 16 anos no estado de São Paulo, segundo projeção feita por pesquisadores da USP para o Instituto Saúde e Sustentabilidade. Isso significará 256 mil mortes, além da 1 milhão de pessoas e um gasto público estimado em mais de R$ 1,5 bilhão. Pelo menos 25% das mortes (59 mil) deverão ocorrer na capital. As pessoas mais afetadas serão crianças de menos de 5 anos e pessoas que têm doenças circulatórias, respiratórias e do coração. Os pesquisadores recomendam como formas de combate aos males causados pela poluição a adoção de fontes alternativas de energia, incentivo ao transporte não poluente e redução do número de carros em circulação.

A ferramenta matemática pode antecipar os momentos de maior risco à saúde combinando dados sobre as condições meteorológicas com os níveis de emissão e dispersão de poluentes, e conta com um monitoramento mais amplo e completo do que o fornecido pelas 26 estações da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) na Região Metropolitana de São Paulo. Essa riqueza de informações permite desenhar cenários futuros de concentração de poluentes, conforme a variação da frota veicular, as mudanças climáticas e o crescimento da cidade. Isso contribui para a avaliação de políticas públicas, entre elas o estímulo à adoção de combustíveis menos poluentes, como o biodiesel, por exemplo.

Carro a carro

As principais fontes de poluição atmosféricas são as indústrias e os veículos. Na Região Metropolitana de São Paulo, a maior quantidade de emissão de poluentes vem dos veículos. Para fazer as medições que alimentaram os cálculos da pesquisa, os cientistas mediram e classificaram os poluentes emitidos por cada tipo de veículo, em experiências feitas em laboratórios e túneis, considerados ambientes ideais para esse tipo de análise.

Para determinar a quantidade de poluente emitido pelos veículos, são realizados experimentos para a determinação dos chamados "fatores de emissão", ou seja, a quantidade (em massa) de cada um dos poluentes emitida por cada tipo de veículo existente na frota da capital a cada quilômetro rodado.  "Partindo dessas fontes, é possível calcular as concentrações ambientais de poluentes", disse Maria de Fátima Andrade à Agência Fapesp. "Mas o fluxo de veículos varia de acordo com o tipo de via e isso precisa ser informado ao modelo. Para isso usamos informações da Companhia de Engenharia de Tráfego e de mapas georreferenciados."

A plataforma é aprimorada diariamente com novos dados e comparações, gerando avaliações sobre as mudanças de perfil dos veículos, com adoção de tecnologias que pretendem poluir menos, e das alterações de hábitos e regras de mobilidade urbana.