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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Fernando Costa participa de simpósio sobre Medicina Translacional na Fapesp

Publicado em 02 dezembro 2011

Assessoria de Comunicação da Fapesp

[2/12/2011] A anemia falciforme, doença que atinge milhões de brasileiros, foi um dos temas apresentados durante o Simpósio Regional sobre Medicina Translacional, realizado na sede da Fapesp em comemoração aos 60 anos do CNPq. Em sua palestra sobre doenças genéticas decorrentes de anormalidades na estrutura ou na produção de hemoglobina (Hemoglobinopatias), na abertura do evento, o médico Fernando Ferreira Costa, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e reitor da Unicamp, relacionou as pesquisas realizadas atualmente nessa área com os tratamentos existentes.

Historicamente, segundo Fernando Costa, a primeira descrição da transmissão hereditária da anemia falciforme foi feita no Brasil, mais especificamente na Bahia, pelo professor Jessé Accioly. Contudo, o crédito para a proeza foi dado a pesquisadores dos Estados Unidos, já que Accioly publicou os resultados obtidos em suas investigações nos Arquivos da Faculdade de Medicina da Bahia. E em português.

Tempos depois, o professor Marco Antonio Zago, da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, também produziu uma quantidade significativa de dados sobre anemia falciforme, que são atualmente referência na área. O foco central da palestra foi a inflamação e adesão celular no desenvolvimento da anemia falciforme, bem como seu reflexo no tratamento da doença.

Costa também destacou as características das hemácias: durabilidade, flexibilidade, elevada concentração de hemoglobina, máxima eficiência no transporte de oxigênio e vida média de 120 dias. "É importante entender esses aspectos, visto que a molécula de hemoglobina é constituída de quatro globinas, que têm uma trajetória relativamente previsível, quando dentro de um padrão de "normalidade". No entanto, no caso da anemia falciforme, acontece uma mutação na hemoglobina", assinalou, destacando que a mudança é, de fato, muito pequena, e que as alterações na superfície da hemoglobina são discretas, embora os danos à saúde do doente sejam bastante graves. Isto porque, quando oxigenada, a hemoglobina permite a formação de "tubos" que bloqueiam a circulação, o que causa infecções e a adesão entre células endoteliais, glóbulos brancos e plaquetas. Este processo, conforme explicou Costa, leva a uma vaso-oclusão, ou seja, a um bloqueio na circulação, provocando, por fim, crises em alguns órgãos importantes. "As alterações acontecem nas hemoglobinas, mas os danos afetam os órgãos".

Atualmente, a hidroxiuréia é a droga mais usada no tratamento da doença. Ela permite diminuir a anemia e a oclusão vascular, mas não torna possível um controle absoluto, tampouco a cura da anemia falciforme. "Isto porque a fisiopatologia da doença é muito mais complexa do que simplesmente a oclusão celular", diz. Atualmente, o tratamento é feito usando uma única droga, apenas para a redução da hemólise e da inflamação celular, entre outros efeitos.