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Férias: Exposição a som alto pode prejudicar a audição de crianças e adolescentes

Publicado em 09 janeiro 2014

Por Gisele Fagnello Lahóz

No período de férias escolares aumenta o uso de aparelhos eletrônicos, os smartphones, o vídeo game, os MP3 Players, os computadores e a televisão. Ainda mais, que agora são oferecidas opções com fone de ouvido e sem fio (tecnologia Bluetooth) e que permitem mais comodidade para o usuário.

Os jovens, que já têm um desses equipamentos em casa e na mochila e que fazem uso, quase que regular, para sair, ir à escola, no transporte e até mesmo em casa, terão, nas férias, mais tempo livre para desfrutar e abusar um pouco mais do volume.

Segundo a especialista Tanit Ganz Sanchez, otorrinolaringologista com doutorado e livre-docência em zumbido pela USP, o canal auricular é extremamente sensível aos barulhos e colocá-lo a exposição contínua de sons muito altos, como costume dos adolescentes, pode causar o zumbido no ouvido. “Zumbido é o nome popular do Tinnitus, sintoma que ocorre geralmente por uma lesão em uma das partes do ouvido: externo, médio ou interno e pode ocorrer pela exposição contínua a sons muito altos, seja em baladas ou mesmo com esses dispositivos. Uma alimentação inadequada, medicamentos, atividade profissional, dentre outros podem também causa o zumbido”, explica Tanit, que há 20 anos estuda as causas e os tratamentos .

O zumbido já atinge quase 28 milhões de brasileiros, de crianças até as pessoas idosas. Os sons do zumbido são parecidos com o apito, o barulho de uma cigarra, abelha, de uma panela de pressão, o barulho da chuva, dentre outros.

Se um trabalhador, por exemplo, um motorista de ônibus, ficar exposto aos barulhos do trânsito pode se tornar mais uma vítima do zumbido, só que o problema pode ser gerado também em uma pessoa que escuta som alto todos os dias. Temos duas situações, o motorista que desenvolveu o sintoma devido ao trabalho e outra devido ao mau hábito de sempre ouvir som alto. “É preciso policiar sempre quanto tempo e o volumes que os jovens estão com os fones de ouvido”, complementa a Dra. Tanit Ganz, que é presidente da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ) e doInstituto Ganz Sanchez.

Segundo Tanit, em uma pesquisa realizada pela APIDIZ e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) com 170 jovens de um colégio em São Paulo, 93 jovens (54,7%) responderam que apresentam ou já apresentaram algum episódio de zumbido nos últimos 12 meses. Deste número, 51,1% associaram essa ocorrência por algumas horas ou alguns dias depois de sair de ambientes com música alta.

Para a especialista, o problema é latente, e a forma de combater é educar os jovens que eles não devem escutar música alta por muito ou mesmo ficar em locais com som muito por tempos prolongados. “Apesar de acharem que não, pois são muito jovens, eles podem sim desenvolver o zumbido no ouvido e que necessitará de tratamento para que seja sanado ou mesmo minimizado”.

Orientações para uso de fone de ouvido e outros:

• Evitar utilizar por mais de 8 horas por dia.

• O volume do fone de ouvido não pode ser superior até 80 dB, pois não oferece risco riscos.

• Atenção com a qualidade dos fones que são comprados.

• De preferência para os fones de modelos maiores que ficam fora do canal auricular.

• Evite ficar dentro de espaços com som muito alto e por tempo prolongado.

Profa Dra. Tanit Ganz Sanchez, Otorrinolaringologista com doutorado e livre-docência pela FMUSP, Diretora-Presidente do Instituto Ganz Sanchez e Presidente da Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ). Assumiu a “missão” de desvendar os mistérios do zumbido e foi pioneira nas pesquisas no Brasil, sendo reconhecida por sua didática, objetividade e compartilhamento aberto de ideias.

Fonte: Banco de Noticia