Notícia

Folha do ABC - São Bernardo do Campo

Feriados, trânsito e paciência

Publicado em 22 junho 2019

Por Tito Costa

Nesta derradeira semana de junho, último feriado prolongado do ano, houve a natural corrida para fora de São Paulo com milhares de carros se deslocando em busca de um imaginado repouso.  Leia-se: São Paulo e o ABC, além de tantas outras preocupantes deserções e vai-e-vem pelos interiores dos estados, mostrando o desespero de uma sociedade, em geral, por mínimos momentos de laser, mesmo à custa de grandes sacrifícios.

Mas não é somente em feriados (prolongados ou não) que se registram os tempos alucinados que vivemos nas grandes cidades e, nas pequenas também, em decorrência do número de veículos que se deslocam nos dias normais e nos feriados, principalmente.  Posso mencionar Torrinha, perto de Jaú, no interior paulista, minha cidade natal, com uma população de dez mil habitantes e hoje com a assustadora realidade de um número de veículos (carros de passeio, caminhões e ônibus) cujos congestionamentos serão capazes de impor quase uma paralisação na vida comunitária. Em São Paulo, isso já vem acontecendo com paralisações cada vez maiores em dias de feriados prolongados. 

Interessante pesquisa divulgada recentemente revela as dificuldades que o trânsito nos impõe, dificuldades que se avolumam com o passar dos dias e doa anos. Por exemplo: uma hora de deslocamento no trânsito na cidade de São Paulo torna possível fumar cinco cigarros pelos condutores dos veículos engarrafados.  Este dado é fornecido por um estudo inédito realizado pela Universidade de São Paulo em decorrência da avaliação dos pulmões de 413 cadáveres fumantes ali autopsiados. Diz a fonte de onde tiramos estes informes, a publicação da revista Environmetal Research, financiada pela Fapesp, ao cuidar dos efeitos dos poluentes na saúde humana, que a ONU e outras entidades interessadas em preservá-la cuidam de propor a criação de uma espécie de Convenção Quadro sobre o tema semelhante ao do tabaco. Por enquanto, uma ideia.

A autópsia realizada nos pulmões dos cadáveres das pessoas fumantes revelou esse angustiante resultado, o que levou a Anvisa a propor levar à consulta popular duas propostas sobre o tema: uma, com regras sobre o plantio de Cannabis, por empresas interessadas na produção de remédios; outra para registro dos produtos que podem ser gerados no processo. No estado de S. Paulo a ideia ainda na vingou, estando a depender de melhor estudo e ainda melhor proposta para sua execução, segundo exame da Anvisa.  Pois esta, de conformidade com a fonte, não estaria apresentando proposta com tal propósito, que não fosse para atender pacientes e médicos e baseada em estudo sério para atender apenas aos pacientes necessitados. (cf. Folha de S. Paulo, 20/06/2019).

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex-deputado federal constituinte de 1988.