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Feira de RSE traz a Macaé Prêmio Nobel da Paz

Publicado em 16 janeiro 2012

Por Martinho Santafé

O climatologista Carlos Nobre, pesquisador-titular e coordenador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 2007 como um dos autores do Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), juntamente com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, confirmou esta semana participação da V Feira de Responsabilidade Social Empresarial Bacia de Campos, que acontecerá nos dias 08, 09 e 10 de maio. Sua palestra será no dia 09, quarta-feira, às 16 horas, sobre o tema "O Brasil e a Nova Agenda do Desenvolvimento".

Carlos Nobre é secretário-executivo da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas (Rede CLIMA), coordenador-executivo do Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais e presidente do Comitê Científico do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP). Em 2007 também recebeu o Prêmio da Fundação Conrado Wessel, na área de Meio Ambiente e em 2010 recebeu o Prêmio WWF-Brasil Personalidade Ambiental, concedido a pessoas reconhecidas por seu trabalho pela conservação da natureza e pela promoção do desenvolvimento sustentável no país.

A V Feira de RSE Bacia de Campos, que conta com o patrocínio da Prefeitura de Macaé, Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Eletrobrás-Eletronuclear e o apoio de O Debate, entre outros, terá como tema "Os desafios da Nova Economia" e já tem confirmados, além de Carlos Nobre, nomes de peso na área de Sustentabilidade, incluindo o economista Ricardo Abramovay (USP), a mestre em Estudos do Futuro Rosa Alegria (Houston University) e a diretora da Migliori Consultoria, Regina Migliori, consultora em Cultura da Paz da Unesco.Carlos Nobre acredita que o Brasil pode liderar uma nova agenda global de desenvolvimento sustentável e se converter em uma potência ambiental. "Além de uma série de condições naturais do país, a sociedade brasileira tem consciência de que este futuro é possível", afirma o climatologista, que também é professor de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe).

Em uma entrevista recente à Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS), Carlos Nobre disse acreditar que o Brasil tem potencial para explorar um novo modelo de desenvolvimento tropical, utilizando plenamente a energia renovável e a economia do conhecimento natural. 

Fazendo uma avaliação 20 anos depois da Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro, e às vésperas da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), Nobre disse que a convenção sobre mudança climática Rio 92 não conseguiu criar o ímpeto para um movimento global de redução de emissões. "O esforço deve ser, por igualdade e justiça, primeiro dos países que historicamente mais emitiram e, em segundo lugar, dos países em desenvolvimento, que também terão de se adequar à redução dos gases-estufa, se quisermos realmente entrar em uma trajetória menos perigosa. A temperatura global pode aumentar entre três e cinco graus no final deste século. Isso é muito. Já subiu 0,8 grau em 200 anos. Esta trajetória é bastante pessimista".

De acordo com o climatologista, em 2010 foi registrado o maior volume de emissões da história da civilização humana: quase 45% mais do que as emissões de 1990 em dióxido de carbono e outros gases-estufa. "Não há forma de olhar estes números sem se preocupar. Alterar o clima em 200 anos, o que leva de 20 mil a 30 mil anos, segundo os ciclos naturais da Terra, é uma mudança muito abrupta para a maneira como a natureza se ajusta aos ciclos naturais. E a primeira vítima direta é a biodiversidade, que é muito variável". 

Carlos Nobre observa que o ritmo natural de emergência de uma espécie se conta em centenas de milhares de anos, mas a extinção é muito rápida, basta uma perturbação. "Os biólogos estimam que se esse cenário pessimista persistir sem controle até o final do século, estará ameaçada a existência de 40% de todas as espécies. Isto é um grande cataclismo para a vida do planeta Terra".

Como a mudança climática pode afetar os recursos hídricos? Para Carlos Nobre, o clima está mais variável, e os sistemas de produção dos quais dependemos para viver acabam perturbados. "Por exemplo, hoje há um grande número de desastres naturais e a capacidade de resiliência está diminuindo. Este é o aspecto que importa quando falamos de falta de água: as projeções das mudanças climáticas no século afetam as regiões semiáridas, onde está a pobreza do mundo. Em cem anos o mar pode subir entre 50 centímetros e 1,4 metro. Isto inundará muitas áreas costeiras baixas onde vivem centenas de milhares de pessoas, que terão de ser reassentadas". 

- Em geral, prossegue Nobre, com grandes elevações de temperatura e com extremos meteorológicos, a agricultura global sofre porque as ondas de calor aumentam, bem como as secas, que se tornam imprevisíveis. O problema é que a agricultura já usa três quartos dos recursos hídricos disponíveis, e está em seu limite.