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FCF desenvolverá medicamento essencial para tratamento de câncer sem similar no mercado nacional

Publicado em 01 julho 2014

O medicamento L-Asparaginase, para tratamento da leucemia linfoide aguda sem substituto no mercado brasileiro, será desenvolvido pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. O projeto nacional do Laboratório de Biotecnologia Farmacêutica da FCFUSP, coordenado pelo professor doutor Adalberto Pessoa Junior, acaba de receber o financiamento da Fapesp. A previsão da Faculdade é ter o L-Asparaginase desenvolvido até 2019.

Maior estabilidade à estocagem, melhor biodisponibilidade, menor toxicidade e menor alergenicidade diferem o princípio ativo LAsparaginase a ser desenvolvido na FCF em relação à formulação existente. Segundo o professor Adalberto Pessoa, “a nossa enzima terá maior atividade específica ou o efeito desejado com menor dosagem, e também menor tamanho, o que significa que será menos imunogênica e, portanto, oferecerá menos efeitos colaterais”, explica.

Segundo o pesquisador, a causa dos efeitos colaterais indesejáveis no paciente não é provocada pelos demais componentes da formulação tradicional, mas pelo próprio L-Asparaginase. Para minimizar os efeitos do princípio ativo, “pretendemos realizar mutações no micro-organismo produtor da L-Asparaginase, de forma que este biofármaco seja mais estável e mais ativo e, consequentemente, a dosagem será menor e com maiores intervalos na aplicação. Isso reduz os efeitos colaterais, estimula menos o sistema imune e apresenta menor potencial alergênico”, explica o professor Adalberto.

O biofármaco L-Asparaginase, da FCF, poderá ser utilizado no tratamento de maior número de pacientes, já que muitos atualmente não toleram o tratamento, devido aos efeitos colaterais. O único fabricante do medicamento no país descontinuou a produção do L-Asparaginase. O mercado tem sido abastecido com a importação do medicamento.

Para a oncologista Silvia Brandalise, do Centro Infantil Boldrini, maior hospital especializado em câncer pediátrico da América Latina, “a produção nacional de um princípio ativo é sempre fato que merece comemoração. Ademais da qualidade técnica do produto, quanto a sua eficácia e toxicidade, há a necessidade de vencer a etapa da produção em escala industrial e comercialização do produto. Parabenizamos a USP pela iniciativa. Desejamos o sucesso na concretização da produção da Asparaginase. Investimentos em biotecnologia se impõem na presente data. Índia e China estão a passos largos nessa busca de síntese de princípios ativos usados na medicina”. Segundo o pesquisador Adalberto, o projeto se encontra na fase de triagem inicial de centenas de fungos produtores isolados de diferentes biomas, como caatinga, cerrado, ambiente marinho e antártico. “Já identificamos vários fungos com capacidade de produção do biofármaco e a próxima etapa será identificar qual deles produzirá o biofármaco com as maiores vantagens terapêuticas.” Em paralelo, ocorre a busca de produtores recombinantes. “Para isso, estamos desenvolvendo um microorganismo geneticamente modificado. Também já desenvolvemos uma bactéria com capacidade de produzir o biofármaco com características idênticas ao que já é utilizado comercialmente. O próximo passo é iniciar estudos de mutações dessa cepa em busca de mutantes mais eficientes”, conclui o responsável pela pesquisa.