Notícia

Agência C&T (MCTI)

Fazer ciência é fácil, é só pensar

Publicado em 02 julho 2008

Qual o primeiro passo para fazer ciência? Pensar! Assim começa o livro Metodologia científica ao alcance de todos, da engenheira de pesca e professora da Universidade Federal do Semi-árido (UFERSA), em Mossoró, Celicina Borges Azevedo.

Para ela, tudo começa com uma pergunta. Depois, vem a resposta em forma de experimento e de comprovação. Tudo muito simples. Surge a questão, lança-se a hipótese, faz-se um experimento, surge o resultado e depois se conclui. "É uma coisa lógica. O problema é aqui o contato com a ciência começa muito tarde. Mas no dia-a-dia a gente faz hipóteses. O professor tem que estimular o aluno", diz Celicina.

O Brasil comemorou o ano passado 40 anos de feiras de ciências. Mas, na maioria das vezes, essas feiras não seguem uma metodologia científica, pois são apenas cópias de outros projetos já apresentados ou mostram apenas experiências para chamar a atenção dos que estão lá, como fazer um vulcão que expele fogo ou fazer detergente, xampu etc.

As escolas, segundo ela, não aproveitam o potencial criativo do aluno nem do professor. Muitos se iludem afirmando que não têm dinheiro para fazer pesquisa e simplesmente ficam só no pensamento, não buscando respostas para os problemas. "Antes eu achava que os países desenvolvidos faziam ciência porque tinham muito dinheiro; mas não, eles só começam cedo. No Brasil, o estudante só começa a ter contato com o método científico na universidade", diz a professora.

O livro Metodologia científica ao alcance de todos nem bem foi lançado e já há uma procura muito grande por ele. Segundo Celicina, professores de todo o Brasil têm escrito e-mails buscando informações sobre o trabalho, que foi divulgado na página eletrônica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). "Já recebi mais de 100 e-mails de professores querendo comprar exemplares do livro, mas inicialmente ele não está à venda. Essa primeira edição foi doada para as bibliotecas das 29 escolas de Ensino Médio jurisdicionada pela 12ª Diretoria Regional de Educação. Estou buscando patrocínio de alguma editora para que ele possa ser reproduzido e disponibilizado para número maior de pessoas", explica Celicina.

Todos na luta pela promoção da leitura

Como a ciência, o livro surgiu de um modo simples: da observação. Depois de observar, ela fez experimentos e chegou a um resultado. "A idéia do livro surgiu quando eu fazia doutorado nos Estados Unidos da América, ao observar as feiras de ciências de lá, que eram feitos pelas crianças seguindo o método científico. Depois observei as daqui e vi que os estudantes não usavam a metodologia científica, era mais pirotecnia. Eu queria mostrar que é possível aplicar o método em trabalhos científicos", diz.

Seu livro traz todos os passos de uma forma simples, com uma linguagem de nível mais fácil para que fique acessível aos adolescentes e jovens. Traz comentários e orientações desde o momento do pensamento até a concepção da feira de ciências, passando pelo experimento, pela pesquisa e a criação de projetos.

Segundo Celicina, só doar o livro para as bibliotecas não resolve, é preciso capacitar os professores para que saibam trabalhar com o livro e orientar para que sigam o método científico. Serão feitas oficinas durante o segundo semestre de 2008 com professores e alunos das escolas que receberam o material.

O contato da professora é celicina@gmail.com, ou pelo telefone da Fundação Guimarães Duque: (84) 3315-1786.