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Correio Popular

Fazendas históricas: um olhar para os distritos

Publicado em 30 outubro 2006

O Brasil tem um passado rural recente. Há, em diversas famílias, pais ou avós que viveram em fazenda antes de se mudarem para centros urbanos. Campinas, com longa tradição na cultura cafeeira, ainda guarda um pouco desse passado graças à persistência de famílias que mantiveram suas propriedades, formando assim um rico patrimônio histórico, natural e cultural da região.
Pensando nas próximas gerações e na necessidade de valorização das fazendas históricas de Campinas e do Estado de São Paulo, foi criado o projeto Patrimônio Rural Paulista — Espaço Privilegiado para o Ensino, Pesquisa e Turismo, que conta com a participação da Prefeitura de Campinas, através da Secretaria de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo (SMCIST) e pretende inserir essas fazendas num contexto de educação e turismo, conscientizando seus proprietários acerca da conservação e exploração sustentável desse patrimônio.
Hoje, durante a manhã e à tarde, a comissão técnica do Patrimônio Rural Paulista, coordenada pelo arquiteto e professor Marcos Tognon, visitará quatro propriedades da região: Fazenda Santa Maria, em Joaquim Egídio; Fazenda Monte D'Este/Tozan, saída para Mogi Mirim; Fazenda Solar das Andorinhas, no bairro Carlos Gomes (Área de Proteção Ambiental); e Fazenda Santa Úrsula, em Jaguariúna.
"O projeto faz parte de uma rede maior que visa um inventário das fazendas históricas paulistas e em que condições está esse patrimônio. Muitas vezes, seus proprietários não têm conhecimento da importância do imóvel para a história do Estado", disse a coordenadora de Planejamento e Informação da SMCIST, Mirza Pellecciotta, que faz parte da comissão técnica.
O Patrimônio Rural Paulista envolve também quatro universidades públicas — Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFScar) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) —, assim como várias instituições parceiras: Associação Pró-Casa do Pinhal (em São Carlos), Associação Fazendas Históricas Paulistas, Associação Brasileira de Turismo Rural (Abraturr), Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), Fundação Energia e Saneamento, Fundação Pró-Memória de São Carlos e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-SP).
Segundo Mirza, o projeto é o embrião de um novo modelo de trabalho que envolve educação e turismo dentro das fazendas históricas. "Estamos dando início ao diagnóstico preliminar para a conclusão do projeto que deverá ser encaminhado no início de 2007 para a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)".
O campo de pesquisa do Patrimônio Histórico Paulista abarca três áreas estratégicas do Estado: as regiões de São Carlos e Ribeirão Preto, a região do Vale do Paraíba e a região de Campinas. A bela Fazenda Santa Maria faz parte do projeto e da Associação Fazendas Históricas Paulistas. Fundada em 1830 pelo comendador Antônio Manuel Teixeira, no alto da Serra das Cabras, ela mudou de proprietários em 1989, que encomendaram intenso trabalho de recuperação do patrimônio.
Atualmente, a fazenda recebe grupos para tour histórico-cultural, celebrações religiosas e passeios. De acordo com sua proprietária, Susana Ulson, o trabalho visa retomar a história do ciclo cafeeiro da cidade.

O número
10 gerações - De descendentes do Barão Ataliba Nogueira já passaram pela Fazenda Santa Úrsula