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Correio Popular

Fazendas entram na mira do turismo rural

Publicado em 31 outubro 2006

Um grupo de historiadores, arquitetos, agrônomos e outros profissionais ligados à memória e ao turismo iniciou ontem em Campinas uma série de visitas técnicas às fazendas históricas para estabelecer um programa de conservação e exploração sustentável do patrimônio histórico e cultural rural regional. O projeto, explica o arquiteto Marcos Tognon, não é de pesquisa histórica, mas sim de diagnóstico e de transferência de conhecimento de técnicas de recuperação da memória para as fazendas.
As fazendas Santa Maria, em Joaquim Egídio, Monte D'Este e Solar das Andorinhas, no bairro Carlos Gomes, e Santa Úrsula, em Jaguariúna, foram visitadas pelo grupo do projeto Patrimônio Rural Paulista - Espaço Privilegiado para o Ensino, a Pesquisa e o Turismo, que as universidades públicas, a organização Fazendas Históricas Paulistas, Prefeitura, conselhos de preservação histórica de várias entidades elaboram para ter um inventário das fazendas históricas paulistas. Coordenado por Tognon, também professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a proposta está sendo finalizada para ser submetida em março do próximo ano à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na área de políticas públicas. Se aprovado, o programa de fato terá início em agosto de 2007.
Foram definidas seis regiões do Estado de São Paulo para o inventário: São Carlos, Ribeirão Preto, Vale do Paraíba, Itu, Limeira, Mococa e Campinas. Ontem foi a segunda visita realizada em uma das seis regiões escolhidas para o projeto. A primeira visita foi em Limeira. Tognon explicou, durante o roteiro, que o grupo trabalhará em quatro direções. A primeira será a capacitação técnica dos proprietários e funcionários das fazendas para lidar com o acervo artístico que têm em mãos. Será oferecido a eles um curso, em São Carlos, de manuseio de obras artísticas que compõem o acervo das fazendas.
A segunda meta é promover o levantamento do inventário do patrimônio e acervo arquitetônico, documental, artístico e objetos existentes nessas fazendas. Além disso, se propõe ao debate das atividades educacionais que podem ser realizadas tendo as fazendas como base e estratégias turísticas que também podem ser implementadas dentro do patrimônio rural. Tognon contou que outros dois projetos estão se agregando ao Patrimônio Rural Paulista - Espaço Privilegiado para o Ensino, a Pesquisa e o Turismo. Um deles, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que está propondo realização de oficinas sobre cultura agronômica sustentável, e outro, da Embrapa de São Carlos, que sugere um programa de saneamento ambiental das fazendas.
O diretor de Turismo da Prefeitura de Campinas, Fernando Vernier, que acompanhou a visita às fazendas, comentou que o projeto tem fundamental importância na estratégia de desenvolvimento turístico de Campinas, especialmente na área rural. "Hoje já temos várias pousadas se estabelecendo no distrito (de Joaquim Egídio) e estamos prontos para lançar o roteiro em meados de novembro, com as visitas programadas às fazendas e ao Observatório Municipal", afirmou.

O número
6 mil sacas de café arábica são colhidas por ano na histórica Fazenda Monte D'Este