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Faz bem ou faz mal?

Publicado em 27 março 2006

Por Cristiane Segatto e Solange Azevedo, colaborou Mariana Sanches
A gordura é ruim. Mas também existe gordura boa. Dá para comer ovo? E peixe? Vinho? Azeite? Depende. Você anda confuso com sua dieta? Pois pode se acostumar com a infindável batalha entre a mídia e a ciência

Num dia gordura faz mal. No outro, não é tão ruim assim. Diz o bom senso que chocolate não é boa coisa. Aí vêm os jornais e dizem que ele faz bem ao coração. O ovo já foi considerado um dos maiores vilões das artérias. Até que os cientistas mudaram de idéia. Um ovo por dia não faz mal, passaram a afirmar. Quem, durante décadas, reprimiu o prazer supremo de furar a gema de um ovo frito sobre um punhado de arroz - como o escritor Luis Fernando Verissimo - não foi indenizado. Vinho, azeite, salmão e tomate são a panacéia do momento. Se fossem consumidos com a freqüência com que suas supostas propriedades aparecem na mídia (e se elas fossem verdadeiras), ninguém mais morreria de câncer ou de doenças cardiovasculares. Ninguém mais envelheceria também. De onde surge tanta confusão?
Quanto mais a imprensa divulga notícias sobre dieta saudável, menos as pessoas sabem o que pôr no prato. A desinformação brota justamente do excesso de informações. Até os anos 80, a maioria das pessoas tirava suas dúvidas sobre saúde apenas com o médico. De lá para cá, um volume enorme de notícias sobre o tema ganhou espaço em jornais, revistas, internet, TV. Nos Estados Unidos, o número de reportagens sobre ciência (leia-se saúde, na maioria dos casos) que ganharam a primeira página dos jornais cresceu de 1% para 3% entre 1977 e 2004. No mesmo período, os artigos sobre assuntos internacionais perderam terreno. Caíram de 27% para 14% do espaço total.
O levantamento é do Projeto para Excelência em Jornalismo, um grupo que monitora a cobertura da mídia. Não há notícia de estudo semelhante no Brasil. 'Numa escala de 0 a 10, a cobertura de saúde no país merece nota 5', diz Carlos Vogt, coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp e presidente da FAPESP. 'Muitas reportagens são complicadas, afoitas e levianas', afirma. Na maior parte dos casos, a abordagem é superficial e cheia de exageros. Noticia-se uma revolução atrás da outra.
A usina de bobagens prospera por várias razões. Os jornalistas têm pressa. Os cientistas precisam aparecer. As empresas querem vender. O público busca soluções rápidas. 'Quem tenta emagrecer e não consegue fica obcecado por resultados. Qualquer coisa aparentemente milagrosa que apareça na mídia vende muito', diz o endocrinologista Walmir Coutinho, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).
Nos últimos cinco anos, o tema dieta foi capa de 16 edições das três maiores revistas semanais brasileiras. Nesse período, a ciência não produziu conhecimento que justificasse tamanho destaque nos meios de comunicação. Como então eles arranjam tanto assunto? Em geral, as publicações atribuem aos estudos uma importância maior que a que merecem no mundo acadêmico. É assim que trabalhos irrelevantes do ponto de vista científico viram capa de revista. E, é claro, elas vendem muito.
Esse conflito está na essência da complicada relação entre a ciência e o jornalismo. Partindo do pressuposto de que há profissionais éticos e responsáveis dos dois lados, é importante lembrar que nem jornalistas nem cientistas saem de casa todas as manhãs pensando na melhor forma de enganar a população. Mas os bem-intencionados também erram.
Para os jornalistas, só é notícia aquilo que surpreende. Pesquisas que confirmam o que o senso comum já aponta não rendem manchetes. No mundo acadêmico, a lógica é outra. Os estudos médicos mais respeitados são justamente aqueles que reúnem milhares de trabalhos já publicados sobre o tema (conhecidos como metanálises) e procuram endossar ou refutar antigas concepções.
Em um artigo científico, cada afirmação precisa estar embasada em estudos anteriores. Uma palavra fora do lugar pode comprometer a credibilidade do pesquisador. Os jornalistas, por sua vez, estão acostumados a fazer grandes generalizações para tornar um assunto mais claro, mais atraente, mais vendável. Até quem não entende de comunicação percebe que o tema dieta gera enorme interesse. E, por isso, não é raro que o repórter de saúde receba do editor a seguinte tarefa: 'Precisamos de uma capa sobre dieta. Arranje alguma novidade'.
Nos últimos cinco anos, o tema dieta foi capa de 16 edições das três maiores revistas semanais brasileiras
Novidades sempre há, até mesmo no terreno desgastado das dicas de alimentação e das dietas milagrosas de emagrecimento. Em geral, porém, a mídia costuma extrapolar as conclusões dos estudos científicos. O que era válido apenas para determinada população - ou somente para camundongos - vira verdade universal. Foi o que aconteceu recentemente com a desastrada divulgação do mais longo estudo sobre consumo de gordura e risco de câncer e doenças cardiovasculares.
O estudo, financiado pelo governo americano, é o maior já realizado sobre o assunto. Durante oito anos, foram acompanhadas 50 mil mulheres entre 50 e 79 anos. A divulgação dos resultados da pesquisa que custou US$ 415 milhões aos cofres públicos deveria ser ótima oportunidade de educar a população. Em vez disso, a imprensa do mundo todo martelou a idéia de que comer pouca gordura não reduz o risco de câncer e doenças cardiovasculares.
Era o álibi que os gorduchos precisavam para abusar do torresminho, dos salgadinhos de boteco, dos doces encharcados de creme de leite. Faltou explicar que apenas uma pequena parte do grupo realmente conseguiu reduzir o consumo de gordura até chegar aos índices recomendados. Além disso, o aumento do consumo de legumes e frutas não foi seguido pelas voluntárias como deveria ter sido.
A análise cuidadosa do discurso torna possível perceber que o risco de câncer de mama caiu 22% entre as mulheres que adotaram as maiores reduções no consumo de gordura. A dieta com quase nenhuma gordura não reduziu o risco de câncer colorretal. Mas produziu menos pólipos no intestino, lesões que podem originar o câncer. Outra limitação do estudo foi o tempo de acompanhamento: apenas oito anos.
Maus hábitos alimentares são uma das principais causas de doenças crônicas como as cardiovasculares, o diabetes, a obesidade e o câncer, segundo a Organização Mundial da Saúde. Mas essas mazelas levam décadas para aparecer. O acompanhamento das pacientes continua e, provavelmente, os efeitos benéficos da dieta equilibrada poderão aparecer nos próximos anos. E, mais uma vez, as manchetes vão contrariar o que foi dito antes.
O exemplo clássico desse vaivém que desnorteia o leitor são as notícias sobre a dieta de Atkins, que postula uma redução drástica no consumo de carboidratos e libera o de gorduras e proteínas, como as do ovo. Atkins soube promover sua dieta desequilibrada desde os anos 70 sem nunca destinar parte dos lucros para financiar estudos clínicos sobre seus efeitos. É verdade que a dieta faz emagrecer rapidamente. Mas quem se aventura nesse plano recobra todos os quilos (e um pouco mais) alguns meses depois, segundo a Abeso. Não é de hoje que os médicos alertam para o risco de doenças cardiovasculares, distúrbios renais e o terrível efeito sanfona.
O presidente Lula foi vítima dele em 2003, quando adotou a dieta de Atkins. Recentemente perdeu 12 quilos graças a uma versão mais leve dessa dieta, que permite carboidratos em pequenas quantidades.
Apesar disso, volta e meia ela renasce das cinzas com a ajuda da imprensa. Em 2001, uma revista semanal publicou entrevista na qual Atkins dizia seguir a própria dieta havia quase 40 anos. Afirmava que ela não só era eficiente como havia livrado seus pacientes de remédios contra a hipertensão, o diabetes ou a artrite. Pois Atkins sofreu morte súbita em 2003. Pesava 116 quilos. 'A família tentou esconder o fato, mas a necropsia constatou que ele tinha as coronárias entupidas. O excesso de proteína animal e gorduras da dieta de Atkins provoca problemas cardiovasculares', afirma Mário Maranhão, ex-presidente da Federação Mundial de Cardiologia.
A dieta de Atkins - cuja empresa entrou em concordata no ano passado - não foi a única badalada pela mídia a tombar vítima da realidade. Em 1968, Linus Pauling, duas vezes laureado com o Prêmio Nobel (Química e Paz), propôs as bases da medicina ortomolecular. De lá para cá, a idéia de que doses elevadas de vitamina C evitam gripes, resfriados e até o câncer embalou inúmeras manchetes. Linus Pauling morreu em 1994, aos 93 anos. O consumo diário de 15 gramas de vitamina C não o livrou do câncer de próstata. Hoje, o máximo que se recomenda desse nutriente são 500 miligramas por dia, segundo Maranhão.
Depois de 40 anos comendo gorduras, Robert Atkins sofreu morte súbita
A grande dificuldade da pesquisa sobre alimentos é que ninguém come uma coisa só. Por isso é tão difícil conferir os efeitos de determinado nutriente. O tomate virou a aposta da moda. Um pigmento natural presente nele, chamado licopeno, parece estar envolvido na prevenção do câncer de próstata, segundo algumas pesquisas. Mas será que é o licopeno sozinho ou o licopeno com o tomate que tem esse efeito? E quanto de tomate seria necessário ingerir para se proteger da doença? Ninguém sabe. As mesmas dúvidas persistem em relação a outros itens badalados como salmão, vinho tinto, chocolate.
'Muito do que é recomendado hoje provavelmente deixará de sê-lo daqui a dez ou 15 anos', diz José Augusto Taddei, nutrólogo do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo. No início dos anos 90, o consumo de azeite de oliva era contra-indicado. 'Hoje, sabe-se que essa é uma das melhores gorduras que existem', afirma Taddei. Trata-se de um óleo rico em ácidos graxos monoinsaturados, aos quais se atribui algum papel na prevenção de problemas circulatórios. Na comunidade científica, cada descoberta é agregada à informação já existente. É como se fosse um edifício em que se agrega um tijolinho. Um único estudo - por maior que seja - é insuficiente para mudar as recomendações alimentares da população, embora as manchetes façam crer o contrário.
Muitas vezes as mensagens parecem contraditórias, mas são fruto do avanço do conhecimento. Amargarina, por exemplo, foi muito recomendada pelo governo americano quando se acreditava que ela fosse mais saudável que a manteiga. Com o tempo - e muitos estudos epidemiológicos -, os pesquisadores descobriram que a gordura vegetal hidrogenada presente na margarina é tão ruim para a saúde quanto a gordura animal. Durante o processo de fabricação, a gordura da margarina se transforma nas perigosas gorduras trans, um sebo que também entope as artérias. Hoje já existem no mercado várias marcas de margarina livres de gorduras trans.
As pesquisas sobre nutrição podem ser muito complicadas e exigir mudanças de rota que confundem a população. Muitas vezes, porém, a imprensa recomenda mudanças de hábito por conta própria. Um dos episódios mais traumáticos foi o do lançamento do remédio Xenical em 1998. O medicamento reduz a absorção de gorduras em 30%, mas está longe de ser um passaporte para a farra gastronômica. Ainda assim, a inovação farmacológica em um ramo com poucas opções eficazes era uma grande notícia. Merecidamente, foi assunto em vários meios de comunicação. Mas na maioria dos casos a abordagem foi desastrosa. Uma revista estampou na capa um prato em forma de rosto. Ovo frito no lugar dos olhos, coxinha no nariz, sorriso de lingüiça. O título: 'Comer sem engordar'.
'Quase todos os profissionais que falaram à revista eram consultores do laboratório, inclusive eu. Todos disseram que a publicação não poderia passar a idéia de que quem toma Xenical pode mergulhar de cabeça na gordura. Mas colocaram até outdoors dizendo que havia chegado a pílula para tomar antes de ir à churrascaria', afirma Marcio Mancini, endocrinologista do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Os jornalistas não são os únicos responsáveis pelo desserviço. Nas últimas décadas, cientistas e médicos passaram a fazer parte da máquina da mídia. Antigamente, os que divulgavam estudos ainda em andamento eram esculhambados pelos colegas. Hoje, a pressão para que apareçam na imprensa é enorme.
Jornalistas generalizam conclusões de estudos para tornar as reportagens mais atraentes
Hospitais e universidades enviam aos jornalistas textos sobre avanços muitas vezes preliminares. As instituições acreditam que, com a exposição na mídia, vão ganhar apoio do público e verbas para pesquisa. Ao mesmo tempo, empresas farmacêuticas e alimentícias contratam médicos como consultores e os indicam aos jornalistas como fontes. 'A mídia faz parte desse processo, como nós, médicos, também. As empresas oferecem US$ 10 mil ao médico para que ele faça um almoço de trabalho em um congresso. Ele dá uma aula toda dirigida ao produto que a empresa quer vender', diz Taddei.
Nem sempre a imprensa se dá ao trabalho de verificar quem financiou a pesquisa que vai virar manchete. Boa parte dos estudos é patrocinada por empresas, o que pode comprometer a confiabilidade das pesquisas. A nutricionista americana Marion Nestle, da Universidade de Nova York, levantou casos chocantes. No livro Food Politics, ela conta como as companhias fazem lobby para mover a política oficial a favor de seus interesses, passando por cima da saúde pública. Absurdos coletados por Marion nas revistas científicas: um estudo afirmava que cereais matinais ricos em fibras podem reduzir o risco de câncer. Foi feito por um funcionário da Kellog's. Outro dizia que margarina era melhor que manteiga para reduzir os níveis do colesterol ruim, o LDL. Foi financiado pela Associação Nacional dos Produtores de Margarina.
Um dos famosos estudos que associam a ingestão de duas a cinco taças de vinho tinto por dia à redução da mortalidade foi patrocinado pelo Instituto Técnico do Vinho Francês. Boa parte das pesquisas que sugerem que substâncias encontradas no cacau (chamadas flavonóides) podem proteger o coração foi bancada pela Mars, uma das maiores fabricantes de chocolate dos Estados Unidos.

Escolha complicada
Com tantas dicas contraditórias, é cada vez mais difícil saber o que colocar no carrinho
Isso não significa que todos os estudos patrocinados pela indústria sejam um embuste. Na maior parte dos países, o governo financia a ciência básica. Mas o conhecimento gerado nas universidades só se transforma em produtos se as empresas investirem milhões e milhões nas etapas seguintes do desenvolvimento. Quando as relações dos cientistas com a empresa são divulgadas com total transparência, não há por que duvidar dos resultados. Muitas vezes, porém, resultados ruins para a empresa são mantidos em sigilo. Mas, quando a conclusão dos estudos é positiva, as empresas produtoras de alimentos e a indústria farmacêutica colocam uma esmagadora máquina de divulgação para funcionar. 'Há 15 dias, recebi 20 artigos publicados em 2005 e 2006 pela Nestlé. Todos eles favoráveis aos produtos da empresa', diz Taddei. Nessa mesma onda, há empresas de refrigerante que encomendam revisões científicas e afirmam que o produto não faz mal. Há também fabricantes de cerveja que dizem que ela é um bom alimento, desde que consumida sem exagero.
Quem não se lembra do pânico do aspartame? Muita gente baniu esse tipo de adoçante do cardápio depois que os jornais publicaram estudos (realizados em camundongos) que o relacionavam com o surgimento de câncer. A boataria correu solta na internet. Mas nenhuma pesquisa de longo prazo comprovou que ele seja maléfico. 'Esse caso demonstra a força do lobby da indústria. Fabricantes de outros tipos de adoçante encomendaram essas pesquisas para tentar provar que o aspartame é prejudicial', diz Anita Sachs, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp.
As pressões da indústria também se tornam visíveis durante a criação das diretrizes nutricionais divulgadas pelos governos para toda a população. Nos Estados Unidos, recomenda-se que os adultos consumam 1.000 miligramas de cálcio por dia, o equivalente a quase 1 litro de leite. Estudos feitos na Escandinávia revelam que 500 miligramas de cálcio são suficientes para prevenir osteoporose. 'É muito provável que a indústria americana de laticínios esteja forçando a recomendação de 1.000 miligramas de cálcio para aumentar o consumo de leite e derivados', diz Anita.
Quem tenta emagrecer e não consegue acredita em qualquer receita milagrosa
O poder de influência também é exercido por meio de anúncios agressivos na TV. O alvo das propagandas quase sempre são as crianças. Uma pesquisa realizada pela Unifesp em 2005 mostra que 10% do tempo de propaganda feita na TV no horário da programação infantil é ocupado por anúncios de alimentos. Foram avaliadas dez manhãs da programação do SBT e dez da Rede Globo. Como é de esperar, ninguém anuncia leite, arroz, feijão, frutas ou verduras. Só aparecem biscoitos, refrigerantes, guloseimas de todo tipo. 'As pessoas comem cada vez pior no Brasil e são vitimadas pelos interesses comerciais que o governo não consegue regular', diz Taddei.
É possível identificar interesses e distinguir a informação que realmente importa na montanha de textos sobre saúde que lotam a caixa de mensagens dos jornalistas todos os dias? A tarefa não é fácil. 'Quase todos os estudos terminam com mais perguntas que respostas e, infelizmente, os resultados são interpretados pela maioria dos jornalistas como definitivos. Até hoje há gente tomando suco de berinjela crua achando que corta o colesterol', diz Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia. 'O jornalista não precisa ser um cientista, mas precisa conhecer as nuances que fazem toda a diferença', diz Alberto Dines, editor-responsável do Observatório da Imprensa, entidade que avalia a qualidade da mídia brasileira.
A melhoria da qualidade das informações sobre saúde não depende apenas do empenho dos jornalistas. Os cientistas devem ser menos afoitos na divulgação de seus trabalhos. As empresas necessitam repensar os padrãos éticos de divulgação de seus produtos. O público precisa ser cada vez mais exigente e crítico. Para não se privar até de uma simples omelete.
O avanço das pesquisas sobre alimentos produz informações contraditórias. As principais mudanças ao longo do tempo

Chocolate
Sempre esteve na categoria das guloseimas nada saudáveis. Novas pesquisas mostram que o chocolate amargo ajuda a reduzir o colesterol ruim
Chocolate ao leite e chocolate branco são cheios de açúcar e gordura saturada, que entopem as artérias

Salmão
Até os anos 80, era um produto caríssimo e pouco pesquisado. Não entrava nas recomendações alimentares
Atualmente, sabe-se que ele (assim como o atum e a sardinha) é rico em ômega 3. O nutriente ajuda a melhorar a circulação sanguínea

Vinho tinto
No início dos anos 90, era considerado benéfico ao coração devido à substância resveratrol. Em 1996, a Universidade Harvard concluiu que qualquer bebida alcoólica (consumida com moderação) produzia o mesmo efeito
Estudos posteriores reafirmaram o papel protetor do vinho tinto ou do suco de uva

Café
Até o fim dos anos 80, acreditava-se que pudesse causar hipertensão e doença coronariana. Essa ligação foi refutada na década de 90
A Universidade Johns Hopkins revelou que os consumidores tinham pressão mais elevada, mas o café não era o culpado

Cenoura
Rica em betacaroteno, é aliada contra os radicais livres que provocam envelhecimento precoce
Hoje, sabe-se que o excesso de betacaroteno (principalmente em cápsulas) pode provocar o surgimento de câncer de pulmão

Ovo
Acreditava-se que o colesterol da gema fosse prejudicial. Nos últimos anos, descobriu-se que o aumento do colesterol no sangue depende de características individuais
Entre as pessoas saudáveis, o consumo de um ovo por dia não faz mal

Amêndoas
Eram vistas como item de consumo esporádico devido ao excesso de calorias (100 gramas equivalem a um Big Mac)
Hoje, são consideradas benéficas. Contêm gordura insaturada, que protege o coração. Recomenda-se o consumo de um punhado por dia

Alho
Desde a Grécia Antiga, era utilizado com fins medicinais, mas seus componentes eram pouco estudados
Hoje, sabe-se que possui o nutriente alicina. Estudos sugerem que ele estimula o sistema imune

Castanha-do-pará
O consumo não era recomendado devido ao alto valor calórico (semelhante ao das amêndoas)
Hoje, recomenda-se uma unidade por dia para suprir a necessidade de selênio, que parece estimular o sistema imune

Azeite de oliva
Até os anos 80, era recomendado com moderação. Além de ser altamente calórico, dizia-se que a fritura poderia causar câncer
Em 1999, um grande estudo mostrou que o azeite ajuda a prevenir infarto. A versão extravirgem é a mais saudável. Hoje, recomenda-se o uso de azeite como alternativa à manteiga e à margarina

Tomate
Acreditava-se que pudesse aumentar o ácido úrico e prejudicar os rins
Atualmente, os estudos demonstram que seu pigmento natural (licopeno) parece estar envolvido na prevenção do câncer de próstata. O nutriente é mais bem absorvido depois do cozimento

Leite
O consumo sempre foi estimulado pelos governos devido ao cálcio, que fortalece os ossos e os dentes
Nos últimos anos, os especialistas passaram a questionar a quantidade diária recomendada nos Estados Unidos (750 ml de leite desnatado ou semi). Um estudo da Universidade Harvard demonstrou que mulheres idosas que tomam mais leite não sofrem menos fraturas

Fontes: Ana Paula Lins, Anita Sachs (nutricionistas), Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, Mário Maranhão, ex-presidente da Federação Mundial de Cardiologia