Notícia

Correio Popular

Fator climático influencia na produção de bebida

Publicado em 30 julho 2006

Além da variedade da uva, fatores climáticos também influenciam na qualidade do vinho. "Nossa terra é boa e o clima vem sendo estudado também para ter um manejo de cultivo. diferenciado para a colheita ser perfeita. No Estado de São Paulo, assim como em todo o Brasil, o clima é tropical. Te mos que adaptar as variedades para que a uva tenha alto teor e concentração de ãçúcares", explica Cláudio José de Góes, presidente do Sindusvinho.
Para obter um bom vinho é preciso que a uva tenha bastante açúcar para que a fermentação atinja um grau alcoólico satisfatório. Para isso, é essencial que a colheita seja feita após um período de estiagem, sem chuvas por cerca de 60 dias, do fruto no pé. Depois que a planta amadurece é preciso que o clima se mantenha seco e com sol para conseguir mais cor na casca.
Um detalhe importante também é a diferença de temperatura entre o dia e a noite, que deve ser de pelo menos 15 graus para que a planta tenha um equilíbrio de tenóis, que são as propriedades que dão cheiro, aroma e corpo à bebida. 'Por esses fatores é que a Cabernet Sauvignon, a Moscato e a Lorena se mostraram ideais para esta região. Mas para chegar a resultado é preciso ter investimentos também de tempo, pois a primeira colheita somente é feita três anos após o plantio. Somente depois desse período é que se iniciam os testes", explica.
Para conhecer o interesse dos produtores do Estado de São Paulo em relação à melhoria da qualidade da uva e do vinho regional, o Sindusvinho também conseguiu viabilizar um projeto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para, numa primeira fase, fazer um diagnóstico de quais áreas possuem viabilidade econômica para cultivar uvas finas e se há interesse dos produtores em aderirão programa. Nesta fase, o investimento é de R$ 60 mil.
"Depois tem os recursos de cada produtor na plantação e cultivo. Mas temos também uma linha de financiamentos do Estado, no valor máximo de R$ 200 mil para cada agricultor — o que é suficiente para um investimento em uma área de cinco a dez hectares — corri juros de 4% ao ano e com prazo de 24 meses de carência", conta Luis Guilherme Campos de Oliveira, coordenador do projeto Pró-Vinho.
Uma segunda fase do investimento da FAPESP — com previsão de investimentos de R$ 300 mil será pa ra a pesquisa das uvas que serão plantadas no Estado.