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Fármaco pode combater inflamação exagerada ocasionada pela Covid-19 (76 notícias)

Publicado em 29 de setembro de 2022

Por Da Redação

A Universidade de São Paulo (USP) realizou experimentos – com animais e células humanas – os quais sugerem que a niclosamida, vermífugo já conhecido e indicado para tratar infecções por tênia, pode ter ação antiviral, inibindo assim as inflamações exacerbadas ocasionadas pela Covid-19, evitando assim, o surgimento de casos mais graves da doença. Ainda não há uma certeza quanto aos efeitos – descritos em artigo na Science Advances – do remédio e para descobrir se funcionam em humanos.

Os autores do estudo afirmam que a atual forma do vermífugo vendida em farmácias não funciona para tratar os efeitos da Covid nos pulmões e por isso novos estudos devem ser feitos caso dê tudo certo com a pesquisa. Dario Zamboni, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e integrante do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP, explica que “o comprimido contendo niclosamida comercialmente disponível não é absorvido no estômago, por isso ele funciona para vermes intestinais. Mas não vai funcionar para covid-19 se tomado por via oral. Para contornar esse problema, será necessário desenvolver uma nova formulação da droga, que chegue diretamente aos pulmões”.

Zamboni aponta, também, que os efeitos anti-inlamatórios observados n o estudo se devem ao bloqueio do mecanismo imunológico inflamassoma, complexo proteico presente no interior das células de defesa. Quando essa maquinaria celular é acionada, moléculas pró-inflamatórias conhecidas como citocinas passam a ser produzidas para avisar o sistema imune sobre a necessidade de enviar mais células de defesa ao local da infecção.

Anteriormente, em um trabalho realizado por grupo da FMRP-USP, chegou-se a conclusão de que – em pacientes com a forma grave da Covid-19 – o inflamassoma costuma estar mais ativo do que o normal, permanecendo assim após a eliminação do vírus no organismo, causando a resposta inflamatória sistêmica e exagerada (tempestade de citosinas) que são lesivas para pulmões e outros órgãos. Dario afirma que “a niclosamida não deve ser usada como um tratamento profilático, ou seja, para supostamente prevenir a inflamação exacerbada”. ““Um pouco de inflamação é importante para combater infecções por microrganismos patogênicos. O problema é quando a resposta inflamatória é exagerada, como em alguns casos mais graves da Covid-19”, completou.