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Fapesp valoriza orçamento e multiplica seus projetos

Publicado em 15 agosto 2002

Cyro Queiroz Fiúza escreve para a 'Gazeta Mercatil': Fundação apóia oito mil projetos em todas as áreas da ciência Preparar o lançamento de novos projetos e manter a condução de trabalhos consagrados como o Projeto Genoma e os Programas de Inovação são alguns dos desafios impostos à Fapesp, em um ano particularmente difícil para a economia brasileira. 'O desafio posto pelo cenário internacional e a conjuntura política do país, em ano de eleições, causam muita apreensão em toda a sociedade. No caso da Fapesp, estamos discutindo formas de garantias para os recursos da Fundação, com ajustes que busquem proteger o patrimônio, que representa grande parte de nossa capacidade de investimentos', afirma Carlos Vogt. Boa parte do exercício orçamentário da instituição é feita em dólar, por conta da compra de equipamentos e materiais de consumo. 'Essa execução significa um terço do valor dos recursos orçamentários', informa o presidente da Fapesp, que garante, no entanto, não haver risco de interrupção ou atraso nos projetos em andamento ou implementação. O orçamento foi de R$ 397,7 milhões em 2001. Desse total, R$ 271,4 milhões vieram da verba de 1% proveniente da receita tributária do Estado de SP, conforme lei em vigor na Constituição Paulista. Os outros R$ 126,3 saíram da receita patrimonial da própria entidade. Somados os recursos, a Fapesp dá continuidade a trabalhos como o Projeto Genoma, que colocou o país como pioneiro no seqüenciamento do genoma da Xylella fastidiosa - a praga da amarelinho que ataca as plantações de laranja. Carlos Vogt reserva a condição de 'lucrativo e bem-sucedido' para esse projeto que começou em 1997. 'É um investimento que produz cada vez mais resultados e consome investimentos cada vez menores', comemora ele, ao dizer que os recursos iniciais correspondiam a 6,5% do orçamento da entidade, baixando para 3,2%, ou R$ 12.726 milhões, referente ao ano de 2001. O Projeto Genoma tornou o trabalho da Fapesp conhecido internacionalmente, mas não é o único que traz resultados concretos para o setor de pesquisa e desenvolvimento e para a sociedade como um todo. 'Outro programa muito interessante é o Biota, que parte de um trabalho de taxonomia (catálogo e mapeamento) das espécies vegetais e animais da Mata Atlântica e do Cerrado, reunindo cientistas de vários estados brasileiros', revela Carlos Vogt. Com aportes de recursos semelhantes, o Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE), com 1,5%; e a Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), com 1,4%, consumiram R$ 11,533 milhões em 2001 em numerosos projetos que trazem como vantagem a participação de empresas e das cidades onde estas se encontram instaladas. Mais recentes, os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids), consumiram recursos de R$ 5,3 milhões em 2001. Os Cepids atualmente ativos saíram de um lote de 114 projetos recebidos e analisados a partir de 1998, transformados depois em 30 trabalhos selecionados e, finalmente, nos 10 escolhidos, que abrangem áreas como estudo da metrópole, estudos da violência urbana, materiais, genômica, óptica e fármacos. Na lista de oito mil projetos administrados ou coordenados pela Fapesp, está o Sistema Integrado de Hidrometereologia do Estado de SP (Sihesp), que vai consumir a quantia inicial de R$ 30 milhões para sua implantação e contará com as participações do Instituto Agronômico, da Universidade Estadual de SP (Unesp), Unicamp, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de empresas de capital privado. INICIATIVA PRIVADA Outro programa em fase de implantação chama-se Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia). Um de seus objetivos é desenvolver pesquisa nas áreas de engenharia de rede, controle de tráfego, comunicação óptica e softwares, entre outros, em parceria com a iniciativa privada. Outro é formar especialistas em tecnologia de rede, internet e telecomunicações. O primeiro projeto aprovado visa criar a base de operação do Tidia, com a utilização de uma rede de fibra óptica de extensão estadual, com velocidade de até 400 gigabits/seg., para o desenvolvimento de pesquisas tecnológicas e comunicação acadêmica e educacional. O segundo projeto do Tidia é a criação de uma incubadora de conteúdos como softwares, material didático e livros. A proposta é incentivar a criação cooperativa de conteúdos digitais em torno da informação aberta e, ao mesmo tempo, disseminar o uso de conteúdos em português na internet. O desenvolvimento estratégico desse projeto prevê a adoção de softwares abertos como o Linux. (Gazeta Mercantil, 15/8) JC e-mail