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Fapesp: Técnica de baixo custo permite ver o novo coronavírus dentro da célula em 3D

Publicado em 11 agosto 2020

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um método que permite visualizar o material genético do novo coronavírus dentro de células. Baseado na técnica conhecida como hibridização in situ por fluorescência – FISH (fluorescent in situ hybridization) –, ele permite visualizar o vírus nas células em três dimensões e a marcação simultânea de outros componentes celulares.

“Geralmente, os laboratórios usam técnicas que permitem verificar o aumento da carga viral em uma cultura de células ou tecidos infectados, como o qPCR. No entanto, essas técnicas não comprovam que o vírus está dentro das células ou mesmo em que parte da célula ele se instalou, o que é muito importante na compreensão da doença”, diz Henrique Marques-Souza, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, que liderou o desenvolvimento do método, à Agência Fapesp.

Henrique Marques-Souza, que é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), faz parte da Força-Tarefa COVID-19 Unicamp, que une esforços de pesquisa, insumos e recursos para a compreensão e combate à doença. Com o protocolo, desenvolvido pela pós-doutoranda Luana Nunes Santos, será possível aprofundar os estudos sobre o novo coronavírus em andamento em seu laboratório, além de permitir a colaboração com outros grupos de pesquisas dentro e fora da Unicamp.

“Conseguir visualizar o vírus dentro da célula é algo muito valioso para a compreensão da infecção. Isso pode também ser realizado pela microscopia eletrônica de transmissão [MET] ou por imunocitoquímica [ICQ]. A MET, porém, demanda microscópios especializados e demora entre uma semana e dez dias para ser concluída. Já a ICQ requer anticorpos que se ligam ao vírus, e é relativamente simples”, pontua.

“No entanto, os insumos são caros e demoram muito para chegar por conta da alta demanda mundial provocada pela pandemia”, completa.