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FAPESP respondeu aos desafios da pandemia sem comprometer o apoio às demais áreas

Publicado em 03 setembro 2021

Agência FAPESP A nova realidade criada pela pandemia de COVID-19, o maior desafio da ciência nos últimos cem anos, afetou de forma significativa a atividade da FAPESP em 2020, mas não impediu que a Fundação seguisse financiando projetos nas demais áreas de pesquisa.

A FAPESP destinou, em 2020, R$ 978,3 milhões ao fomento de 21.233 projetos de pesquisa – 45% na área de Ciências da Vida, 37% na de Ciências Exatas e da Terra e Engenharias, 10% interdisciplinares e 7,5% na área de Ciências Humanas. Do total de projetos apoiados, 7.027 foram contratados no período, selecionados entre as mais de 19 mil propostas submetidas à Fundação no ano.

As pesquisas de longo prazo, realizadas, por exemplo, no âmbito dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), de projetos Temáticos, da modalidade Auxílio à Pesquisa Jovem Pesquisador e também os projetos apoiados por meio de Auxílios Regulares, receberam 46% dos recursos, seguidas das bolsas regulares de formação de recursos humanos para ciência e tecnologia – da iniciação científica ao pós-doutorado, no país e no exterior –, que receberam 23% do total desembolsado no ano. Informações detalhadas desse investimento podem ser conferidas no Relatório de Atividades da FAPESP 2020, publicado hoje.

“Os resultados apresentados neste relatório demonstram a capacidade da FAPESP de responder rapidamente a uma situação de crise extrema – sem comprometer o fomento às demais áreas de pesquisa. A robustez da instituição será um fator central para apoiar a comunidade científica paulista no grande esforço de nossa sociedade para retomar o desenvolvimento e a normalidade após o controle da epidemia”, diz Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP. A pandemia de COVID-19, no entanto, impactou a demanda por bolsas e auxílios.

O Relatório de Atividades mostra que os valores destinados pela FAPESP ao fomento foram menores do que os de 2019. As restrições impostas à mobilidade internacional e nacional e os novos protocolos de segurança de muitos laboratórios implicaram na queda da submissão de propostas. Esses fatos levaram a Fundação a readequar o cronograma de vigência de bolsas e a flexibilizar os procedimentos de prestação de contas. A forte desvalorização cambial exigiu que a Fundação dilatasse momentaneamente os prazos de importações de equipamentos, que já voltaram ao ritmo pré-pandemia. “As medidas tomadas em caráter emergencial e provisório tiveram como objetivo garantir compromissos financeiros de curto, médio e longo prazo com auxílios e bolsas já concedidos, de modo a se preparar para a retomada das atividades de pesquisa em São Paulo”, diz Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP.

Ainda assim, foram anunciadas 13 novas chamadas de propostas em parceria com organizações estrangeiras e firmados sete novos acordos internacionais de cooperação em pesquisa. A FAPESP fechou o ano com 208 parcerias vigentes com 167 organizações estrangeiras e 41 nacionais, que resultaram no apoio a 3.840 projetos de pesquisas desenvolvidos em colaboração: 2.392 projetos cofinanciados – num total de R$ 110,7 milhões – e 1.448 projetos apoiados exclusivamente pela FAPESP, totalizando R$ 99,3 milhões.

Especial COVID-19

A urgência no enfrentamento da COVID-19 exigiu mudanças importantes na agenda de fomento da FAPESP. O relatório traz um capítulo especial sobre as medidas adotadas, distribuídas ao longo de uma linha do tempo que destaca também algumas das pesquisas sobre a doença e o SARS-CoV-2 implementadas no período, além de medidas sanitárias de adequação operacional da instituição que permitiram manter ativas todas as áreas de suporte ao fomento e o atendimento à comunidade científica.

O capítulo Especial COVID-19, que também pode ser lido separadamente, destaca que, ainda em março de 2020, uma semana depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter reconhecido a pandemia, a Fundação mobilizou, por meio de editais, mais de 140 pesquisadores em universidades, institutos de pesquisa e em empresas para investigar o vírus SARS-CoV-2, até então desconhecido, buscar tratamentos efetivos para a doença e conter o contágio.

Como parte do programa da FAPESP de Pesquisa em Políticas Públicas para o Sistema Único de Saúde (SUS), em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foram aprovados oito projetos focados no fortalecimento das ações do SUS ante os desafios da COVID-19. As iniciativas contemplaram também o compartilhamento de informações sobre a doença causada pelo novo coronavírus.

Em junho, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o Grupo Fleury e os hospitais Sírio-Libanês e Israelita Albert Einstein, a FAPESP criou o primeiro repositório de acesso aberto do país com dados anonimizados de pacientes testados para COVID-19 em quatro hospitais e um laboratório de análises clínicas, com o objetivo de subsidiar pesquisas sobre a doença nas mais diversas áreas do conhecimento.

No fim do ano, tendo agregado novos parceiros – o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e a Beneficência Portuguesa de São Paulo –, o repositório congregava dados de 485 mil pacientes, aproximadamente 47 mil registros de desfecho e mais de 23 milhões de registros de exames clínicos e laboratoriais, abrindo enormes possibilidades de pesquisas relacionadas à doença em pacientes contaminados.

A Fundação apoia, desde 2020, os ensaios clínicos fase 3 da CoronaVac, imunizante produzido pelo Instituto Butantan, junto com a iniciativa Todos pela Saúde, do Itaú Unibanco, assim como as investigações relacionadas à resposta imune da vacina desenvolvida pela Universidade Oxford (Reino Unido) em parceria com a AstraZeneca, realizadas por pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp). Financia também oito projetos de desenvolvimento de vacinas contra o SARS-CoV-2: quatro na USP, dois no Instituto Butantan e dois em startups apoiadas pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). As vacinas estão ainda em estágio pré-clínico.

A Fundação teve, ainda, participação ativa no esforço global de combate à doença e nos planos de recuperação socioeconômica no pós-pandemia. Lançou, com a União Europeia, edital para a seleção de projetos com o objetivo de identificar novos agentes terapêuticos e sistemas de diagnóstico precoces, eficazes e confiáveis relacionados ao novo coronavírus. E integrou o grupo de dirigentes de agências de fomento de 25 países que contribuiu para a elaboração do United Nations Research Roadmap for the COVID-19 Recovery, a agenda de pesquisa das Nações Unidas para a recuperação pós-COVID-19, lançada em novembro de 2020, que elencou prioridades de pesquisas em áreas estratégicas para a reconstrução de um futuro mais justo, resiliente e sustentável, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em meio às restrições sanitárias, a FAPESP realizou 62 seminários on-line, entre março e dezembro de 2020, que reuniram, ao todo, mais de 11 mil pesquisadores do Brasil e do exterior, com destaque para a série “FAPESP COVID-19 Research Webinars”, realizada em parceria com o Global Research Council (GRC).

“Desde setembro de 2020, todas as solicitações de bolsas e auxílios submetidas à Fundação devem incluir um Plano de Gestão de Dados. O objetivo é tornar os dados de pesquisas mais acessíveis e replicáveis”, sublinhou Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP.

Reforço à inovação

Ao lado das iniciativas direcionadas à COVID-19, a FAPESP reforçou em 2020 as iniciativas alinhadas a estratégia de fomento à inovação: adotou o fluxo contínuo na análise de projetos submetidos ao PIPE e criou uma modalidade de apoio suplementar a empresas inovadoras, o PIPE Invest, que prevê contrapartida de investidores privados em projetos maduros para o mercado, com o objetivo de acelerar a comercialização. Em 2020, o PIPE investiu R$ 76,7 milhões em 1.305 projetos de pesquisa de pequenas empresas inovadoras. No ano, 213 empresas de 48 municípios paulistas tiveram 237 novos projetos PIPE contratados, além das bolsas vinculadas.

O fomento à inovação por meio do PIPE rendeu à FAPESP a terceira colocação no ranking 2020 do Top 20 Ecossistemas, elaborado pela 100 Open Startups, que mede anualmente o volume e a intensidade das relações de inovação aberta (open innovation) estabelecidas entre startups e empresas no Brasil.

Ainda na perspectiva do apoio à inovação, e no âmbito do programa Centros de Pesquisa em Engenharia (CPEs), a FAPESP firmou nova parceria com a GSK para a constituição de um Centro de Novos Alvos Terapêuticos em Oncologia (CONTD), o terceiro CPE em parceria com essa empresa. No ano, dois novos CPEs iniciaram suas atividades: o Centro de Inteligência Artificial (C4AI), constituído em 2019 em parceria com a IBM e sediado no Centro de Inovação (Inova) da USP, e o Centro Brasileiro de Pesquisa em Água (BWRC), em parceria com a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas (Sanasa), com sede no Instituto de Química da Unicamp. No mesmo período, foi constituído o Centro Brasileiro para o Desenvolvimento na Primeira Infância, em parceria com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e com sede no Insper.

No final do ano, a FAPESP anunciou os resultados da chamada Ciência para o Desenvolvimento, para apoiar a criação de 12 centros de pesquisas voltados à solução de problemas nas áreas de saúde, segurança pública, alimentação e agricultura, desenvolvimento econômico, entre outras. Trata-se de uma abordagem nova, que articula pesquisas desenvolvidas em parceria por pesquisadores em universidades, secretarias de Estado, instituições públicas e privadas, no país e no exterior, e empresas, focadas em demandas sociais e econômicas do Estado de São Paulo.

Em 2020, a FAPESP celebrou os 20 anos do Programa BIOTA, contabilizando 293 auxílios e bolsas de pesquisa concedidos a mais de 1.200 pesquisadores e que resultaram em mais de 3 mil artigos científicos publicados. Ao longo desse período, o BIOTA não só ampliou a compreensão sobre a biodiversidade, como também proporcionou embasamento científico para a criação de diretrizes de conservação e, em especial, para a fundamentação de políticas públicas.

Cumprindo seu papel de divulgar informações para a sociedade, a FAPESP criou um site com informações sobre projetos de pesquisa e de novas tecnologias relacionadas à COVID-19, promoveu uma série de seminários para o grande público, no âmbito de uma parceria entre a Agência FAPESP e o Instituto Butantan, e publicou, na revista Pesquisa FAPESP, o Guia da COVID-19, com informações sistematicamente atualizadas sobre a doença. A repercussão dos resultados dos projetos apoiados pela FAPESP, divulgados por seus veículos de comunicação – Agência FAPESP, boletim Pesquisa para Inovação, revista Pesquisa FAPESP–, gerou a publicação de 42,5 mil notícias na imprensa, um aumento de 33%: crescimento de 37% na mídia nacional e de 13% nos veículos internacionais. Desempenho semelhante foi registrado nas redes sociais.

Este texto foi originalmente publicado porAgência FAPESPde acordo com alicença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia ooriginal aqui.