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Brasil Econômico

Fapesp quer turbinar os investimentos em pesquisa em SP

Publicado em 16 abril 2010

Por Marcelo Cabral

São Paulo quer aumentar sua dianteira na produção de conhecimento no Brasil. Esta semana, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou um plano que pretende aumentar de 1,5% para 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual os investimentos locais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) ao longo dos próximos dez anos. Paralelamente, o programa também tem como objetivo multiplicar por três o número de pesquisadores na ativa no estado, hoje na casa de 50 mil. É um plano ambicioso, anuncia Carlos Henrique de Brito Cruz, presidente da entidade.

Não que o estado invista pouco hoje. O gasto de 1,5% do PIB estadual não só coloca São Paulo proporcionalmente na frente dos países do grupo dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) como também na dianteira de outras nações como a Itália e a Espanha, embora ainda atrás de EUA, Alemanha, Reino Unido, Japão e do líder mundial Israel, que fica próximo dos 5%. O grande, porém, é a questão qualitativa: Com uma quantidade de pesquisadores pesquisadores similar à do estado paulista, a Espanha registra cinco vezes mais patentes do que São Paulo. Brito Cruz reconhece o problemas, mas diz que a evolução só será possível com uma melhora da educação como um todo, porque o problema começa lá atrás, no ensino básico.

Mas o sociólogo Glauco Arbix, professor da Universidade de São Paulo (USP), especialista em inovação, diz que não se muda isso do dia para a noite nem por boa vontade, mas sim com investimento maciço.

Melhorar a qualidade não significa que a quantidade não seja importante, especialmente quando se leva em conta o déficit que existe na quantidade de engenheiros e tecnólogos do país, especialmente na área de engenharia da produção, mecânica, materiais, mecatrônica, software e processos químicos.

Mais uma vez, o problema é como atingir essa meta: ampliar o número de pesquisadores nesse montante exigiria que as faculdades brasileiras trabalhassem num ritmo que elas não mostraram nos últimos 50 anos, avalia Arbix. O sociólogo destaca também o tipo de formação desse contingente como outra barreira. Em países como China e Coreia do Sul, cerca de 30% dos doutores se forma em engenharia. No Brasil, o número disponível é de apenas 6%, incluindo- se arquitetos. Brito Cruz diz que o objetivo é viável, mas admite que as metas previstas podem ser reescalonadas conforme o cenário.