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Fapesp libera verba para o projeto Baladaboa

Publicado em 05 julho 2007

Órgão voltou atrás e autorizou ontem a bolsa que permite a continuidade do projeto


A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) autorizou ontem a verba destinada ao projeto Baladaboa, voltado à redução de danos no uso de ecstasy. O presidente do órgão, Carlos Vogt, havia vetado o dinheiro no mês passado, quando surgiu na mídia a "denúncia" de que o projeto estaria fazendo apologia ao consumo da droga.

O problema estaria nos flyers distribuídos em casas noturnas e universidades, onde eram veiculadas mensagens de alerta sobre os riscos do consumo inconseqüente de E. Recomendações como a de ingerir líquidos e tomar apenas meio comprimido de cada vez foram interpretadas como um "manual de uso" do ecstasy.

Em depoimento ao jornal Folha de S. Paulo, o assessor da Fapesp Fernando Cunha admitiu nunca ter visto um caso de bloqueio de verba como este, "a partir de noticiário de imprensa" e não de critérios científicos. "A atuação de boa parte da mídia foi catastrófica", disse Stella Pereira de Almeida, pós-doutoranda em psicologia e coordenadora do projeto.

A fase de distribuição de flyers já havia praticamente terminado quando as verbas foram suspensas. "Estávamos fazendo distribuições adicionais em clubes como D-Edge, Aloca e Vegas".

Agora, a corrida é pela renovação da bolsa na Fapesp. "É preciso que ela seja renovada para que o projeto continue", afirma Stella. Segundo a coordenadora, a próxima etapa consiste em entrevistas e análises aprofundadas dos usuários. A decisão do órgão sai na semana que vem.

O Baladaboa é uma iniciativa do Instituto de Psicologia da USP. O projeto é pioneiro no esclarecimento dos riscos do uso de ecstasy e defensor de políticas de redução de danos.

Foto: Eduardo César/FAPESP

Legenda: Carlos Vogt, da Fapesp

Marcus Vinícius Brasil