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Fapesp lança Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo

Publicado em 20 dezembro 2019

Por Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP

Iniciativa de compartilhamento de informações envolve as seis universidades públicas do estado, ITA e Embrapa e integra política de Open Science da Fundação, sendo pioneira na América Latina

Projetos de pesquisa, além de novos conhecimentos, geram uma infinidade de dados que, se bem organizados, podem subsidiar novos estudos, originando ainda mais conhecimento.

Foi com base na maior eficiência no uso de informações de ciência que a Fapesp lançou em 16 de dezembro a Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo. A iniciativa vai disponibilizar, de modo organizado em uma plataforma aberta, dados associados às pesquisas desenvolvidas em todas as áreas do conhecimento no Estado de São Paulo.

A rede envolve as seis universidades públicas do Estado de São Paulo – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do ABC (UFABC) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) –, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Embrapa Informática Agropecuária (CNPTIA/Embrapa).

“A ciência, entendida como um bem público, exige comunicação e o acesso aos resultados de projetos de pesquisas deve ser pleno, sem restrições, para que privilégios não sejam criados. A Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo vai dar conhecimento e acesso público não só aos pesquisadores, mas também para o contribuinte paulista que paga para que pesquisas sejam realizadas no Estado de São Paulo”, disse o presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago .

Por meio da plataforma será possível ter acesso aos dados gerados em pesquisas científicas, independentemente de sua publicação em artigos científicos. Para o pesquisador que gerou os dados, a Rede de Repositórios aumenta a visibilidade da sua pesquisa, permitindo o seu compartilhamento e reúso em novas pesquisas.

Entre os exemplos de dados que estão disponibilizados na primeira versão da Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo estão um banco de dados contendo toda a rede de drenagem da hidrografia brasileira sob a forma de grafos e um repositório de imagens de sintomas de doenças de plantas disponibilizado pelo CNPTIA-Embrapa.

Open Science

“Iniciativas que buscam facilitar a integração e a colaboração entre pesquisadores têm dois resultados principais: o melhor progresso da ciência e a maior eficiência no uso de recursos que custeiam a pesquisa. A nova rede tem esse intuito. É uma iniciativa pioneira e bem sintonizada com as práticas de Open Science. Ela vai dar um grande impulso para o desenvolvimento científico do Estado de São Paulo”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

De acordo com Brito Cruz, a rede se associa a outras três iniciativas realizadas pela Fundação no âmbito de Open Science.

A primeira ocorreu em 1997, com a criação do Scientific Electronic Library Online (SciELO), plataforma que reúne periódicos brasileiros e estrangeiros de acesso aberto. A segunda, implementada em 2010, foi a recomendação de que toda pesquisa financiada com dinheiro público devesse ser publicada em periódicos de acesso aberto, de acesso gratuito. O resultado foi que, em 2018, o Brasil foi o país com o maior número de artigos científicos publicados em acesso aberto em todo o mundo.

A terceira iniciativa mencionada por Brito Cruz é o programa de equipamentos multiusuários que estimula o compartilhamento de equipamentos de alto custo entre diferentes laboratórios.

Buscador de metadados

“Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas. Estamos lançando uma iniciativa pioneira na América Latina, que vai aumentar a visibilidade da ciência no Estado de São Paulo. A colaboração entre as instituições participantes para a criação desta rede começou em 2017 a partir da exigência, pela FAPESP, de um Plano de Gestão de Dados entre os anexos obrigatórios de propostas submetidas”, disse Claudia Bauzer Medeiros , professora do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e integrante da Coordenação Adjunta da Fapesp para o Programa de Pesquisa em eScience e Data Science.

“Um Plano de Gestão de Dados faz parte das boas práticas de pesquisa, com o planejamento, desde o início de uma proposta, sobre quais dados serão produzidos e como serão gerenciados, compartilhados e preservados”, disse Medeiros.

Medeiros, coordenadora do Grupo de Trabalho que a FAPESP instituiu para a criação da Rede, destacou o grande trabalho realizado pelas instituições participantes.

“Cada instituição desenvolveu o próprio repositório, criou grupos permanentes internos para sua gestão e trabalhou intensamente para que, ao final, todas pudessem se integrar. Esta integração é viabilizada por um portal único, que diariamente busca informações sobre os dados de cada instituição e disponibiliza essas informações [metadados] de forma integrada. O apoio institucional e o trabalho dos membros do grupo foram essenciais para chegarmos onde chegamos tão rapidamente”, disse.

O portal – um buscador de metadados – foi desenvolvido pela USP e permite busca por instituição, autor, assunto, ano ou palavras-chave. “Essa iniciativa é um avanço enorme. Evita que muitos dados importantes, seja pela qualidade, caráter histórico ou raridade, se percam. Estamos trabalhando também na questão cultural sobre a importância de gerar esses dados”, disse Medeiros.

Participaram da cerimônia de lançamento da Rede de Repositórios Sylvio Roberto Accioly Canuto, pró-reitor de Pesquisa da USP; Maria do Carmo Kersnowsky, da UFABC; Munir Skaf , Pró-Reitor de Pesquisa da UNICAMP; Carlos Frederico de Oliveira Graeff, pró-reitor de Pesquisa da UNESP; Maryangela Geimba de Lima , do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA); João Batista Fernandes , pró-reitor de Pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Lia Rita Azeredo Bittencourt , pró-reitora de Pesquisa da Unifesp; Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária (CPTIA/Embrapa).

Todos apresentaram como suas instituições estão desenvolvendo seus repositórios e a importância da rede para as pesquisas nelas realizadas.