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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Fapesp lança projeto de seqüenciamento genético do parasita da esquistossomose

Publicado em 14 junho 2001

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo- - está lançando o projeto de seqüenciamento genético do parasita do Schistosoma mansoni, que causa a esquistossomose no homem. É uma das três principais espécies que infectam o sei humano, sendo encontrado em regiões da América do Sul e do Caribe. África e Oriente Médio. A esquistossomose constitui um agente importante de morbidez no mundo. Neste aspecto, segundo estudo da Fapesp, compara-se à malária e à tuberculose. Cerca de 250 milhões de indivíduos são infectados com esquistossomos, sendo doença endêmica em 76 países do mundo, entre os quais o Brasil. Aproximadamente 600 milhões de pessoas no mundo correm o risco de infecção. Cerca de 10% dos indivíduos infectados ficam gravemente doentes e o índice anual de óbitos é de 0,3 a 0,5 milhão. A esquistossomose atraiu a atenção especial da OMS - Organização Mundial da Saúde, uma vez que a terapia atual enfrenta o problema de resistência a tratamento farmacológico e a possibilidade do surgimento de vacinas parece estar ainda longe de chegar ao mercado. As melhores perspectivas de identificação de novos alvos para o desenvolvimento de medicamentos, vacinas e diagnóstico, assim como para o estudo da base biológica da resistência a drogas, antigenicidade, infectividade e patologia estão na análise genômica do parasita. O grande tamanho do genoma requer um grande esforço de seqüenciamento por parte da comunidade que trabalha com a esquistossomose em todo o mundo. No Brasil tem-se aplicado com sucesso uma outra abordagem para o seqüenciamento de cDNA (com base na metodologia ORESTES Open Reading Frames Expressed Sequences Tags), para a geração de mais de um milhão de seqüências de tumores humanos. Essa mesma técnica será utilizada agora na descoberta de genes no S.mansoni, o que contribuirá para a descrição do complemento genético do parasita. Essa nova iniciativa da ONSA tem como objetivo gerar 120.000 seqüências de EST ou 40 a 50 milhões de bases de cDNA de S. mansoni nos próximos 12 meses. O projeto tem uma estimativa de custo de US$ 850 mil, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e será conduzido na Universidade de São Paulo (USP), Instituto Butantan, Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Serão estudados diversos estágios do ciclo biológico do parasita e focalizado o problema emergente da resistência a drogas. Espera-se que os resultados finais possam contribuir para o desenvolvimento de novas metas terapêuticas, possibilidades de vacinas e uma compreensão mais ampla da biologia desse importante parasita.